Testemunha diz que Manuel Pedro pagou a Sócrates

Início de julgamento marcado por audição a Fernanda Guerreiro que afirmou que o arguido no caso lhe teria referido que teria havido um pagamento de 500 mil euros ao então ministro do Ambiente, para licenciamento do outlet.

O julgamento do caso Freeport arrancou esta manhã no Tribunal do Barreiro com a audição de duas testemunhas, uma das quais a funcionária pública Fernanda Guerreiro que, na fase de inquérito, tinha dito que Manuel Pedro, um dos dois arguidos, afirmou ter pago a José Sócrates, então ministro do Ambiente, no âmbito do licenciamento do outlet de Alcochete.

Hoje, interrogada em tribunal, Fernanda Guerreiro não foi tão assertiva - num depoimento com muitos "não sei" e "não me lembro" - a apontar o dedo a Manuel Pedro. Segundo a antiga funcionária da Direção do Ambiente, onde esteve de fevereiro a dezembro de 2000, "foi referido que teria havido um pagamento ao sr. Sócrates", no valor de "500 mil qualquer coisa". Mas acrescentou que "nunca foi o sr. Manuel Pedro que disse que teria pago", uma declaração que entra em contradição com o que disse na fase de inquérito, onde disse que o arguido tinha feito essa afirmação. A de ter pago "500 mil contos a Sócrates".

Perante a insistência de procurador, juízes e advogada de defesa, Fernanda Guerreiro afirmou que, ao ouvir Manuel Pedro deixar "implícito" que tinha pago ao então ministro do Ambiente, "senti que era fanfarronice perante duas senhoras".

Antes de Fernanda Guerreiro foi ouvido Francisco Ferreira, antigo dirigente da Quercus, que nessa qualidade acompanhou o processo de licenciamento do Freeport. Este professor universitário sublinhou duas vezes a "estranheza" manifestada pela associação ecologista para "aprovação célere" do estudo de avaliação de impacto ambiental.

O julgamento prossegue da parte da tarde com a audição de duas outras testemunhas, incluindo Mónica Mendes, amiga de Fernanda Guerreiro, que terá participado na conversa com Manuel Pedro.

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