Socialistas abanam mas não caem, com o PSD a 12 pontos

Sondagem. PS resiste à queda abrupta de Costa na avaliação dos portugueses. PSD regista pequena recuperação. BE e Chega a par. Liberais ultrapassam CDU. PAN a crescer.

Se houvesse hoje eleições legislativas, o PS seria o claro vencedor, com 37,6%, de acordo com a mais recente sondagem da Aximage para o DN, o JN e a TSF. Apesar da queda de pouco mais de um ponto relativamente a maio, ficaria 12 pontos acima do PSD, que, depois de bater no fundo, recupera para os 25,2%. Mas há outras novidades: o BE (7,8%) está quase a par do Chega (7,7%); enquanto a Iniciativa Liberal (5,5%) ultrapassa a CDU (4,8%), que já tem o PAN a morder-lhe os calcanhares (4,6%). O CDS regressa à irrelevância (0,9%).

A capacidade de resistência eleitoral dos socialistas é invulgar. Sobretudo se tivermos em conta o que está a acontecer à popularidade de António Costa: na avaliação enquanto líder do partido, volta a perder muito terreno (ver texto ao lado); e na pele de primeiro-ministro acumula, nos últimos dois meses e meio, uma perda de 18 pontos nas avaliações positivas e uma subida de 16 pontos nas negativas (como divulgámos este domingo).

Apesar da quebra contínua desde maio, o líder socialista mantém um saldo positivo (diferença entre avaliações positivas e negativas), ao contrário de Rui Rio, o que talvez ajude a explicar que a relação de forças entre os dois principais partidos continue a ser mais favorável ao PS do que em 2019 (a diferença foi então de oito pontos, hoje seria de 12).

Quando se analisam os diferentes segmentos da amostra, percebe-se que os socialistas estão ancorados nos eleitores mais velhos. Os mesmos que, neste mês, arrasaram a prestação de Costa enquanto primeiro-ministro (foi o único escalão etário em que teve um saldo negativo), resistem a abandonar o PS: é o único escalão acima da média na projeção de voto para os socialistas (47,9%). Um paradoxo que pode não resistir por muito tempo.

PS igual nas vagas da pandemia

Quando Portugal se prepara para atingir o pico da quarta vaga da pandemia, o PS regressa à projeção que conseguiu nos barómetros de fevereiro (pico da terceira vaga) e novembro (pico da segunda vaga). E continua, portanto, um ponto percentual acima do que conseguiu nas legislativas.

Mas o ambiente parlamentar que sairia destas eleições virtuais não seria exatamente o mesmo: há diferenças à esquerda (que no seu conjunto vale agora 50 pontos, menos dois do que em 2019), mas sobretudo à direita (que soma 39 pontos, mais cinco do que nas últimas eleições).

Analisando os resultados da direita clássica, os sociais-democratas estão mais frágeis (2,5 pontos abaixo das legislativas) e o CDS de Francisco Rodrigues dos Santos está em risco de desaparecer (menos três pontos do que em 2019). Ao contrário, os dois novos partidos à direita estão muito mais fortes, apesar de algumas oscilações. Radicais e liberais somam agora mais de 13 pontos (foram 2,5 nas eleições, com um único deputado para cada um).

O Chega mostra consistência no apoio e é o partido que mais cresce desde as legislativas (tem sido sempre assim a cada vaga do barómetro). Neste mês volta a aproximar-se do terceiro lugar (fica a uma escassa décima do Bloco), conseguindo uma implantação razoável em quase todo o território nacional (a região do Porto volta a ser o terreno mais difícil).

A Iniciativa Liberal, por sua vez, ultrapassa a CDU e está próxima do máximo que conseguiu nesta série de barómetros (5,7% em fevereiro), sem acusar a controvérsia com o arraial de Santo António, em Lisboa. Teria hoje mais quatro pontos do que em 2019 e resultados significativos nas grandes zonas urbanas, com o Porto em particular destaque.

Fragilidade à esquerda

Ao contrário do que se passa à direita do PSD, à esquerda do PS os sinais são de fragilidade. Bloquistas e comunistas valem agora juntos pouco mais de 12 pontos (há dois anos, na última ida às urnas, somavam quase 16). O BE partiu de um degrau mais acima e assim se mantém. Há mais razões para alarme na CDU, que baixa pela primeira vez do patamar dos cinco pontos, ainda que mostre capacidade de resistência nas duas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, onde há mais deputados para eleger.

Os comunistas, que foram neste mês ultrapassados pelos liberais, estão também sob ameaça do PAN, que volta a subir, poucas semanas depois de escolher Inês Sousa Real para porta-voz (substituiu o histórico André Silva). O Pessoas-Animais-Natureza está mais forte do que nas legislativas de 2019, também com Lisboa e Porto como os locais mais prometedores para eleger deputados, mas ainda longe da força necessária para chegar a um governo, como prometeu a sua nova líder.

rafael@jn.pt

FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com atualidade política. O trabalho de campo decorreu entre os dias 10 e 12 de julho de 2021 e foram recolhidas 763 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal.

Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo, idade, escolaridade e região. À amostra de 763 entrevistas corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,5%.

A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de José Almeida Ribeiro.

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