Silva Peneda: desemprego faz pairar "séria ameaça" no país

O presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, Silva Peneda, realçou hoje que o trabalho é "o principal fator de coesão", mas os atuais níveis de desemprego fazem pairar no país "uma séria ameaça".

"O trabalho, com direitos e deveres, é o principal fator de coesão numa sociedade", mas, com os níveis de desemprego "que se verificam no país, começa a pairar uma séria ameaça sobre as formas de convivência que sustentam uma comunidade organizada", disse.

Silva Peneda, este ano nomeado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, para presidente da Comissão Organizadora do 10 de Junho, discursava na sessão solene das comemorações, em Elvas.

Na intervenção, o também presidente do Conselho Económico e Social (CES) realçou que, "se a perda de rendimentos é grave, pior é o que está por detrás de muitas situações, que têm a ver com a falta de confiança nos próprios, nos que os rodeiam e na degradação das relações sociais".

"Daqui ao medo é um pequeno passo", alertou, defendendo que, "independentemente da definição de políticas nacionais, a abordagem dos problemas relacionados com a pobreza e exclusão social precisa de plataformas de compromisso".

Na sessão solene do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Silva Peneda abordou várias vezes no seu discurso a ideia da necessidade de compromissos e de pontes.

"Uma só ideia não mudará o país", disse, defendendo que, "para que as ideias fluam e os agentes económicos, sociais e culturais interajam entre si, sem qualquer espécie de temor", o país tem que "reencontrar" o "ponto de equilíbrio".

O que só será possível, continuou, "através de um empenho muito aturado em torno da construção de um grande compromisso, que comece por reconhecer os erros e desvarios cometidos no passado recente".

Face às "atuais circunstâncias do país", acrescentou, Portugal tem de "procurar reabilitar" o seu "património de saber fazer pontes, de estabelecer compromissos".

"Depois de uma crise nunca se regressa ao ponto de partida. As crises conduzem sempre à renovação e à obtenção de novos equilíbrios", referiu.

Mas, no caso de Portugal, "as dificuldades são acrescidas porque vivemos um tempo de transição, marcado pela perda de autonomia financeira, por alguns equívocos, muita dor e alguma dose de injustiça".

A dimensão da reforma a implementar "é imensa", pelo que "precisa de tempo, de coerência e de ser compreendida", alertou Silva Peneda.

"Seguramente que aos promotores das reformas é exigida uma elevada dose de coragem e visão. Mas pode não chegar. Muitas vezes, essas qualidades terão de ser temperadas com gradualismo e bom senso", afirmou.

Contudo, o país, "só tem a ganhar se for capaz de definir uma visão de médio prazo, assente em políticas estáveis e consistentes e, tanto quanto possível, tendo por base elevados graus de compromisso aos níveis político e social", sublinhou.

E, sustentou, "os processos de diálogo estruturado não podem ser vistos nem como uma tentativa de neutralizar o confronto ideológico, nem como um processo concorrente com os mecanismos da democracia formal".

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