Silva Carvalho defende demissão imediata de Mota Pinto

Antigo diretor do SIED diz esperar que deputado, até ser confirmado como "chairman" do BES, não tenha acesso a relatórios secretos sobre bancos

O antigo diretor do Serviço de Informações Estratégicas e Segurança (SIED) defendeu, este domingo, a demissão imediata de Paulo Mota Pinto como presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), depois de o seu nome ter sido indicado para presidente do conselho de administração do BES. A posição de Silva Carvalho é justificada com ironia: "Espero que no exercício das suas funções, desde então, não tenha acesso a relatórios com informação privilegiada sobre bancos, mercados onde o BES tenha negócios, entre muitas outras coisas...!".

Foi na rede social Facebook que Jorge Silva Carvalho - arguido num processo crime devido a suspeitas sobre a sua transição do SIED para o grupo empresarial Ongoing - comentou a recente indicação do deputado social-democrata Paulo Mota Pinto para "chairman" do BES.

"Em 2010 a lei também permitia que qualquer funcionário, como foi o meu caso, transitasse para qualquer entidade privada e nem por isso a questão deixou de ser levantada pelo CFSIRP como uma questão a ponderar. Entretanto ponderou-se e ponderou-se mal, diga-se.", começou por referir Silva Carvalho.

Para em seguida - referindo-se ao "período de nojo" para os agentes secretos transitarem para o setor privado, aprovado recentemente pelo parlamento, - colocar duas interrogações: "Porque é que os membros do Conselho de Fiscalização que têm acesso a toda a informação classificada dos serviços não são abrangidos, tal como os membros do Governo destinatários preferenciais da mesma?".

"Há funcionários dos serviços dos serviços de informações que jamais terão, em todas as suas carreiras, acesso ao nível de informação disponível para os membros do Conselho de Fiscalização ou, bem assim, para alguns membros do Governo", acrescentou ainda.

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