Seguro venceu com larga maioria e voto contra de Costa

Líder do PS aceitou Jorge Coelho para comissão eleitoral das primárias. Já autarca de Lisboa perdeu comissão fiscalizadora e antecipação de prazos para recenseamento. Agora é tempo de "debate de ideias"

Foi uma noite longa de críticas violentas, para cinco horas de reunião da Comissão Política Nacional (CPN) socialista e sem consenso final naquilo que eram as duas propostas em que se antecipavam as maiores discordâncias: os prazos de recenseamento de militantes e simpatizantes e a comissão fiscalizadora das eleições primárias de 28 de setembro.

À saída, já a bater as 3.30 da madrugada desta sexta-feira, o secretário-geral do PS sublinhava que tinha deixado "vários sinais de consenso", mas que "agora" o tempo era do "debate de ideias", deixando para trás as "discussões sobre regras, estatutos, congressos". E António José Seguro sublinhou a "larga maioria" que aprovou o regulamento para as eleições primárias que vão escolher o candidato socialista a primeiro-ministro.

Antes, António Costa lamentou "não ter sido possível consensualizar" as principais propostas feitas por si e pelos seus apoiantes, mas deixando no ar a ideia de que o tempo agora também é outro. "Vamos passar para outra fase", apontou, "este processo está fechado" - longe portanto das frases duras que tinha usado na reunião, segundo relatos recolhidos.

Numa intervenção sobre debates - um ponto previsto na proposta de regulamento de Seguro - o autarca de Lisboa afirmou que "não era útil" fazer debates que estejam sob o signo dos "ataques pessois", porque "isso não prestigia o PS".

Francisco Assis, que foi o cabeça de lista às europeias, afirmou que "teria preferido que houvesse consenso", mas também deu um passo em frente. "Acabou o tempo da discussão das questões estatutárias, regulamentares, agora é o tempo da discussão de ideias", sintetizou.

Principais propostas aprovadas

Os cadernos eleitorais serão fechados a 12 de setembro: o secretário-geral socialista recuou na sua primeira proposta (era 21 de setembro a data apontada para o fim do recenseamento eleitoral) e os apoiantes de António Costa, através de Duarte Cordeiro, apresentaram o 5 de setembro como alternativa (começaram por defender 31 de julho). A votação foi clara: 57 pessoas votaram por 12 de setembro e 26 votaram pelo 5 de setembro, com três abstenções. O autarca de Lisboa votou contra a data de Seguro e avisou que não ficará "vinculado a este processo".

O líder socialista acabou por aceitar o nome de Jorge Coelho para a comissão eleitoral das primárias, como tinha proposto no domingo passado, em Ermesinde, António Costa, mas rejeitou a sugestão de ter duas comissões distintas (uma de organização, outra de fiscalização) para o ato eleitoral, como defendia o autarca lisboeta. Vingou a proposta de Seguro de uma única comissão eleitoral, com a Comissão Nacional de Jurisdição a fiscalizar as eleições.

Na votação final global, já com menos pessoas na sala, o regulamento para as eleições primárias foi votado favoravelmente por 48 pessoas, contra 23 votos e uma abstenção.

(notícia atualizada às 4.30 de sexta-feira)

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