Santana acusa PS e PSD de "pacto". Adversários falam de "vitimização"

Líder do movimento Figueira à Primeira diz que os figueirenses sabem dos ataques concertados à sua candidatura. Carlos Monteiro (PS) e Pedro Machado (PSD) dizem que é "falso"

A corrida às eleições autárquicas na Figueira da Foz está a ferro e fogo. Pedro Santana Lopes, que encabeça a lista do movimento de cidadãos "Figueira à Primeira", acusou PSD e PS de terem um "pacto" para atacar a sua candidatura. E reitera ao DN que "os figueirenses sabem muito bem o que se passa e não precisam que ninguém lhes explique", levantando a questão para corroborar o seu ponto de vista de um pacto entre os dois partidos: "Porque é que o PS nunca mais pediu a demissão do presidente da Região de Turismo do Centro, que exigiu há cerca de três meses e de repente calou-se?". O presidente daquela região de turismo é Pedro Machado, o cabeça de lista do PSD à câmara da Figueira.

Este ataque do antigo primeiro-ministro e ex-líder do Aliança, que agora se candidata como independente à câmara onde foi autarca entre 1997 e 2001, aos seus adversários mais diretos surge depois do tribunal da Figueira da Foz ter recusado em 13 de agosto impugnar a sua candidatura à autarquia local, como tinha sido requerido pela lista do PSD liderada por Pedro Machado.

"Porque é que o PS nunca mais pediu a demissão do presidente da Região de Turismo do Centro, que exigiu há cerca de três meses e de repente calou-se?"

Após impugnações sucessivas em tribunal, Pedro Santana Lopes defendeu, durante a apresentação da sua candidatura na quarta-feira, que "existe um pacto entre PSD e PS" contra a sua lista, por estarem "em pânico e de cabeça perdida".

Das propostas apresentadas, se ganhar a câmara municipal, o candidato quer "no primeiro dia, começar a limpeza do areal da praia com a devida proteção dunar" e avançar com a requalificação da frente de mar, assim como criar uma equipa permanente 24 horas para salvamento marítimo, tendo em conta os acidentes na entrada da barra do porto de pesca. Destacou ainda a aposta de circulares externas, a concretização da piscina oceânica, a criação de um Centro de Investigação Florestal e a plantação de 40 mil árvores em todo o concelho, com a ajuda das empresas de celulose. Em termos financeiros, tem como "compromisso sair do primeiro mandato com a dívida mais baixa do que quando entrou".

Críticas ao "semi Deus"

O presidente da Câmara da Figueira da Foz e recandidato ao cargo pelo PS refuta completamente a ideia de conluio com o PSD para atacar Santana Lopes. "É absolutamente falso. Não tenho contacto com nenhum candidato, são ambos meus adversários", afirma Carlos Monteiro e dispara: "Ele [Santana Lopes] gosta, sempre gostou, de se vitimizar".

O candidato socialista admite que o pedido de impugnação da candidatura de Santana por parte do PSD, e que foi rejeitado pelo tribunal, ainda deu mais visibilidade ao cabeça de lista do Movimento Figueira à Primeira. Mas, diz, "ele não pode achar que é um semi Deus e a sua candidatura não pode ser questionada".

"Ele [Santana Lopes] não pode achar que é um semi Deus e a sua candidatura não pode ser questionada."

Carlos Monteiro argumenta que "é razoável que o PSD peça esclarecimentos" quando "o número de candidatos que apresentou à Assembleia Municipal não estava completo". O cabeça de lista do PS diz estar "tranquilo" com a previsão de resultado eleitoral e por isso nem "dá espaço" para críticas à candidatura de Santana como fez o PSD. "No dia 26 de setembro será a altura de ver o que vale no concelho e até a nível nacional", frisa.

O líder da lista social-democrata vai no mesmo sentido de Carlos Monteiro. Também rejeita a existência de qualquer "acordo" para atacar Santana Lopes e igualmente pega na ideia da necessidade de "vitimização" do adversário. "O que vimos ontem foi um candidato desnorteado, com uma tentativa de vitimização, que num discurso de uma hora não apresentou uma proposta nova para a Figueira e as que apresentou são requentadas das que o PSD apresentou a 1 de março", diz Pedro Machado.

"O que vimos ontem foi um candidato desnorteado, com uma tentativa de vitimização"

Afirma que a candidatura de Santana "é um acumular de trapalhadas", que passam até "pela entrega de requerimentos no tribunal fora de prazo", e afasta a ideia de preocupação com o espaço ocupado pelo adversário. "Lancei 12 propostas para os figueirenses e é isso que quero ver discutido", afirma.

Na Figueira da Foz, estão ainda anunciadas as candidaturas de Bernardo Reis (CDU), Rui Curado Silva (BE), Miguel Mattos Chaves (CDS-PP) e João Carlos Domingues (Chega).

paulasa@dn.pt

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