Rui Rio quer legislativas a 9 ou 16 de janeiro. E sem "balbúrdia" de eleições diretas

Líder do PSD pede mais uma vez para que se pondere a necessidade de realizar eleições diretas em vésperas de legislativas

"Balbúrdia". Foi assim que o líder do PSD, Rui Rio, descreveu a possibilidade de ir a eleições diretas em vésperas de legislativas.

O presidente dos sociais-democratas diz que não pede o adiamento das diretas, mas que pede "para que as pessoas pensem no que estão a fazer". "Que se pondere se vale a pena disputa interno. Acho que não pode haver eleições internas numa altura destas, quando o PS já começou a campanha ontem", atirou o líder da oposição, em entrevista à SIC.

Questionado sobre quem vai fazer a lista de deputados se as eleições do PSD forem a 4 de de dezembro e as legislativas em janeiro, Rio foi perentório: "Tem de perguntar a quem acha que devemos entrar nessa balbúrdia. E quem decide se vamos com coligação ou não? E os cartazes?"

Sobre o CDS, o líder do PSD diz que o encontro agendado para esta sexta-feira foi cancelado a pedido do partido de Francisco de Rodrigues dos Santos e diz que é preciso pensar sobre uma possível coligação. "Temos de pensar. Não tenho uma posição fechada sobre se devemos fazer ou não uma coligação com o CDS. Depois vem o sr. Paulo Rangel, liga para o CDS e diz que afinal não há coligação. Fico dividido. A minha tradição tem sido essa, mas tem de ser ponderado", frisou.

Em relação à data das eleições legislativas e a visita de Paulo Rangel a Marcelo de Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, Rui Rio diz que "quando o Presidente da República marcar a data das eleições legislativas, vai-se perceber se tem uma preferência por um candidato do PSD ou não".

"O meu potencial adversário quer eleições a 20 de fevereiro, o que significa que o Parlamento só poderá ser dissolvido em dezembro. Se assim for, fica evidente [que tem uma preferência]. Nós não podemos esperar, o interesse de Portugal está em primeiro. Não podemos andar aqui com rodriguinhos", argumentou, considerando que o "PSD está lançado" e que é preciso aproveitar o momento. "Não nos podemos virar todos para dentro e andar aos tiros uns contra os outros", vincou, esperando ver as legislativas marcadas para 9 ou 16 de janeiro: "A primeira data possível para eleições, no meu entender, é 9 de janeiro. Estou preparado para preparar eleições. É impossível antes de 9 de janeiro, mas pode ser a 16."

Quanto ao que os resultados das eleições vão ditar, Rio diz que se o PSD estiver em guerra "é quase impossível" ganhar as eleições, quanto mais obter uma maioria absoluta. "Estou focado em que o partido não entre numa guerra nesta altura. PS há de pedir maioria absoluta e nós poderemos ir por aí", acrescentou.

E se não for possível uma maioria, nem de esquerda nem de direita, o líder dos sociais-democratas não descarta o diálogo com o PS. "Descarto um Bloco Central em que há um ministro do PS e outro do PSD, não há necessidade. Se descarto possibilidade de dialogar? Não. Se António Costa tivesse mais abertura, não existia esta crise política. Os partidos não deviam ser assim tão radicais. Em nome do interesse nacional não devíamos fechar as portas ao diálogo. Dizemos que António Costa está encostado a um canto, então não podemos fazer o mesmo. Temos de ser coerentes", atirou,.

Fechou ainda a porta a um entendimento com o Chega, muito menos à inclusão de ministros do partido de André Ventura num governo do PSD.

"Se o Chega se moderar podemos falar. Já o disse há dois anos e o Chega ainda não se moderou", salientou, desvalorizou o acordo que há nos Açores. "Não há nada. O que o Chega pediu para votar a favor foi muito pouco. Seria irracional não aceitar", rematou.

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