Rompuy diz que consenso é bom mas não indispensável

O presidente do conselho europeu, Herman van Rompuy, afirmou hoje que o consenso político é desejável, mas não indispensável, porque os resultados do ajustamento dependem acima de tudo da responsabilidade dos governos.

"No fim, são os resultados que contam. (...) Se o podem fazer com um amplo apoio político, melhor. Se não, o governo tem de assumir as suas responsabilidades e, tanto quanto sei, está a fazê-lo", disse.

Van Rompuy, que falava nas Conferências do Estoril, considerou que "estes são tempos de coragem política", face à "fadiga de reformas" dos povos que gera a impopularidade dos governos. Mas, assegurou, "muitas pessoas sabem que as medidas são inevitáveis".

Afirmando que "manter o rumo é essencial para a credibilidade" dos países, assegurou que Portugal "continua a ser um exemplo", mesmo tendo falhado "a meta inicial".

"Portugal é um exemplo pelos seus resultados e na próxima fase temos todos de trabalhar mais pelo crescimento e pelo emprego. Mas em termos de restaurar a competitividade, de trabalhar duro nas finanças públicas e de fazer reformas, (Portugal) ainda é um bom exemplo", disse.

Van Rompuy rejeitou categoricamente uma saída do euro de países como Portugal ou a Grécia, afirmando que isso seria "dramático" para todos os 27, mais fracos ou mais ricos, e que de qualquer maneira a "conversa existencial" sobre o euro está ultrapassada.

"O euro é mais do que um projeto económico e monetário, é um projeto político. Lutámos nos últimos três anos para manter a zona euro intacta e defender o euro e conseguimos: o euro não acabou e os 17 mantêm-se no euro. A conversa existencial sobre o euro acabou", disse.

Herman Van Rompuy destacou na sua conferência a necessidade de uma "ação imediata" para relançar o crescimento e o emprego na União Europeia e apelou para a "criatividade" e "ousadia" dos governos, dos parlamentos, dos parceiros sociais "e de todos os cidadãos de todos os países" para o conseguir.

"A Europa é parte da solução para um futuro melhor", disse.

Defendendo o papel e a ação do Banco Central Europeu (BCE) na crise, o presidente do conselho europeu advertiu contra a discussão sobre uma mudança dos tratados, considerando que ela pode "abrir um debate muito mais amplo (...) que, em tempos de crise (económica), pode desencadear uma crise institucional".

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