Rodrigues dos Santos. "O centrismo é uma ideologia de fachada e que faz fretes ao PS"

Líder do CDS critica estratégia de Rio. E avisa que o seu partido é "essencial" a uma direita forte e que aqueles que "procuram o CDS fora do CDS não o vão encontrar".

"Querer ser apenas do centro é querer ser tudo e o seu contrário, tudo ao mesmo tempo e, no final de contas, é não ser coisa rigorosamente nenhuma". As palavras são de Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS/PP, que esta terça-feira encerrou o primeiro dia de trabalhos da convenção do MEL com uma mensagem para o PSD de Rui Rio, ainda que nunca tenha nomeado o presidente dos sociais-democratas. "Centrismo é uma ideologia de fachada e que faz fretes ao PS", sublinhou o líder centrista que, momentos antes, tinha iniciado a sua intervenção a saudar a presença na plateia do antigo primeiro-ministro e líder do PSD Passos Coelho.

Rui Rio tem insistido que o PSD é um partido ao centro do espetro político. Mas para Rodrigues dos Santos o "centro ideológico não existe, confunde-se com o poder pelo poder". "Para combater a esquerda precisamos de uma direita forte. Não precisamos de uma obsessão pelo centro que desvirtua a direita", prosseguiu o dirigente centrista, defendendo que quem escolhe o centro como espaço político acaba por não ter armas para combater a esquerda.

Rodrigues dos Santos apontou a vitória de Isabel Ayuso em Madrid, com o "lema comunismo ou liberdade", como exemplo a seguir. "Esta é a pergunta que a direita tem que responder em Portugal, se queremos comunismo ou queremos liberdade", defendeu, sublinhando que as eleições em Madrid mostram que "a direita que conta é a que se mobiliza para derrotar a esquerda, sem timidez, sem pseudo-simpatias, sem pedir autorização para dizer o que pensa, sem ser a direita que a esquerda gosta".

Para Rodrigues dos Santos os "socialistas acham-se os verdadeiros donos disto tudo e tratam o Estado como se fosse a sua casa", colocam a "ideologia à frente das pessoas", fogem das "reformas estruturais que o país precisa, em favor da sua clientela" - e a "rede de poder do PS é hoje a maior e a mais influente de sempre". O líder centrista acusa também os socialistas de dar "guarida a todos os temas fraturantes de que se lembram todas as minorias, e procura convertê-los em ideologia oficial do Estado, ensinando-o nas escolas".

Sobre o seu partido, que as sondagens dão com valores residuais, Rodrigues dos Santos avisou que não há uma direita forte sem o CDS: "o espaço do CDS é insubstituível e indelegável, aqueles que procuram o CDS fora do CDS não o vão encontrar". E deixou um apelo ao diálogo à direita: "Saibamos continuar a conversar entre nós, a combater as limitações que muitos nos querem impor, a examinar as dificuldades e as preocupações dos portugueses".

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