Rio responde ao "nazizinho" de Rosa Mota. "Costa é que sabe quem mete dentro da sala"

Líder do PSD respondeu às críticas da ex-atleta Rosa Mota numa ação de campanha do PS. E desvalorizou o sangramento do nariz que o levou ao médico: "É um percalço que me acontece desde miúdo".

O presidente do PSD, Rui Rio, disse esta sexta-feira que António Costa é que sabe quem "mete dentro da sala", em reação ao "insulto" de "nazizinho" que lhe foi dirigido por Rosa Mota.

"Eu nem vou conferir grande importância porque acho que é dar importância demais a quem a não deve ter, agora não é essa a forma de se fazer campanha, nem de fazer política, a minha não é e está provado que não é, mas o doutor António Costa é que sabe quem mete dentro da sala", afirmou Rui Rio, à chegada à Figueira da Foz, no distrito de Coimbra.

O líder social-democrata referiu que a "campanha do PS e do doutor António Costa, toda ela está feita na base de tentar deturpar o que eu digo e não procurar defender as suas próprias propostas e quando defende as suas próprias propostas é um orçamento que chumbou e nem sei como é que ele o quer fazer passar no caso de ganhar as eleições, e depois chegam ao extremo de juntar numa sala um tipo de pessoas e o que sai de lá, desse tipo de pessoas, é que é um insulto, como é lógico".

Personalidades culturais e desportivas criticaram hoje o desempenho do líder social-democrata, Rui Rio, enquanto presidente da Câmara Municipal do Porto, com Valter Hugo Mãe a acusá-lo de ter "trucidado a cultura" e Rosa Mota a apelidá-lo de "nazizinho".

Esta posição foi transmitida hoje durante uma ação de campanha do secretário-geral do PS, António Costa, que discutiu com 15 personalidades independentes - que afirmaram todas que vão votar no secretário-geral do PS -- temas como a cultura, o desporto, a investigação ou o ensino superior. Antes de um almoço de campanha com candidatos do PSD pelo distrito de Coimbra, que tem como cabeça de lista Mónica Quintela, Rio foi questionado sobre as recentes sondagens que dão o PSD a aproximar-se do PS e recusou fazer comentários a estudos que continua a não considerar credíveis, preferindo basear-se na sua perceção do contacto com as pessoas.

"Eu sinto o PSD a subir já há uns meses para cá, não é há quinze dias ou três semanas", afirmou.

O líder social-democrata admitiu que "a campanha tem o seu efeito", mas defendeu o principal motivo para a aproximação entre os dois partidos é "um desgaste muito grande da governação do PS e do dr. António Costa".

"E as pessoas entenderem-me com o tempo, a minha coerência, já quando fui presidente da Câmara do Porto foi a mesma coisa, o tempo é o aliado que nós temos", considerou.

Questionado sobre o pedido de levantamento do Ministério Público de levantamento da imunidade parlamentar ao ex-ministro e agora deputado Eduardo Cabrita, Rio limitou-se a dizer que o PSD "tendencialmente vota sempre a favor dessas situações".

"Mas, já disse que relativamente à acusação que o Ministério Público quer fazer ao dr. Eduardo Cabrita, não tenho nada a dizer", afirmou.

Na quinta-feira a Lusa noticiou que o Ministério Público solicitou à Assembleia da República o levantamento da imunidade parlamentar do deputado Eduardo Cabrita, para que possa ser constituído arguido e interrogado no caso do acidente mortal na Autoestrada 6 (A6) em que esteve envolvido o carro em que seguia quando era ministro da Administração Interna.

Sangramento nasal "é percalço que tem desde miúdo" e "nada mais que isso"

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou que o sangramento nasal que o afetou nos últimos dias é "um percalço" que o afeta desde criança e "nada mais do que isso".

Rui Rio falava aos jornalistas à entrada para um almoço privado na Figueira da Foz com os candidatos do PSD pelo distrito de Coimbra, depois de ter cancelado um contacto com a população no mercado municipal para realizar um exame médico devido ao sangramento nasal que o afetou nos últimos dias.

"É um percalço que me acontece desde miúdo e ontem [quinta-feira] aconteceu na pior altura, quando tinha de intervir. Esperemos que na campanha não volte a acontecer, mas não é mais do que isso", disse.

Questionado sobre o exame médico que realizou, Rio disse apenas que ficou afastada que tenha a ver com problemas mais graves, como tensão alta, e também rejeitou que possa estar relacionado com o número de testes realizados à covid-19.

"Não está tudo bem, a qualquer momento posso deitar outra vez, agora naquilo que podia ser, tensão alta, isso não, não tem problema nenhum (...) Tenho este problema desde miúdo, lembro-me de fazer um exame na faculdade com algodão no nariz", contou.

Depois do almoço privado, Rio tem marcado um contacto com a população e comércio local em Coimbra, pelas 15:00, seguido da habitual sessão temática, desta vez sobre Ambiente, também em Coimbra, com Rui Rio e o vice-presidente do PSD Salvador Malheiro, moderado pela cabeça de lista por Coimbra, Mónica Quintela.

Na quinta-feira à tarde, Rio teve de se ausentar por cerca de 40 minutos da sessão temática realizada ao final da tarde em Vila Real por ter começado a sangrar do nariz, mas ainda encerrou o debate com uma curta intervenção.

"Queria pedir desculpa de não poder ter estado todo o tempo, mas começar para aqui a deitar sangue era um 31 e nós não estamos para o 31, estamos mesmo para o 30 de janeiro, e é esse 30 que nós queremos", afirmou Rui Rio, em tom bem-disposto, numa referência à data das eleições legislativas antecipadas.

Rui Rio explicou então que começou a sangrar do nariz mal se sentou para assistir à sessão, e que tal já acontecera na quarta-feira, "talvez devido ao frio".

Nos últimos dias, a caravana do PSD tem andado pelos distritos de Castelo Branco, Viseu, Bragança e Vila Real, com as temperaturas nas sessões de final de tarde - realizadas numa tenda transparente, mas aberta - a terem baixado até aos três graus no Fundão.

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