Rio compara campanha do PS à da FRS que levou "uma banhada" da AD em 1980

O presidente do PSD contestou que o PS se apresente como "o inimigo principal" do partido liderado por André Ventura.

Em declarações à comunicação social, em Leiria, Rui Rio foi questionado sobre a mensagem que publicou esta quarta-feira na rede social Twitter acusando o PS de fazer "uma campanha negra, deturpando as propostas do PSD", e respondeu: "Não é uma declaração minha de hoje (quarta-feira), tem sido uma declaração minha de há uns dias".

O presidente do PSD voltou a queixar-se de que o PS e o seu secretário-geral, António Costa, têm estado sistematicamente a "denegrir e deturpar" as propostas do PSD sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o salário mínimo nacional e o relacionamento com o Chega, com o objetivo de "enganar as pessoas".

"Eu lembro-me das eleições de 1980, eu ainda era jovem, e o PS, que liderava uma coligação que era a FRS, seguiu justamente esse caminho: difamação atrás de difamação atrás de difamação, na altura do PSD e da AD lideradas pelo doutor Sá Carneiro. Bom, levaram uma banhada", referiu.

A AD (PSD/CDS/PPM) venceu com maioria absoluta essas eleições legislativas de 1980, com perto de 47% dos votos, conseguindo 134 dos 250 lugares na Assembleia da República, enquanto a FRS teve 26,65% e elegeu 71 deputados.

"Eu não sei se aqui não vão perder por causa disso, mas eu acho que eles não conseguem enganar completamente o eleitorado, pelo menos as pessoas mais inteligentes do eleitorado não são enganadas com isto de certeza, só aqueles mais distraídos é que se deixam enganar por uma coisa destas. E eu lamento", acrescentou Rui Rio.

"Quanto mais votos no Chega, mais facilmente Costa continua"

O presidente do PSD apontou ainda o secretário-geral do PS como "um dos interessados em que o Chega tenha uma grande votação", argumentando que esses votos serão tirados aos sociais-democratas e ajudarão António Costa a manter-se primeiro-ministro.

Em declarações aos jornalistas, em Leiria, o presidente do PSD contestou, por isso, que o PS se apresente como "o inimigo principal" do partido liderado por André Ventura, atualmente apenas com um deputado eleito, como afirmou António Costa, na terça-feira, em Aveiro.

Questionado sobre o que é o PSD em relação ao Chega, se o PS é o seu "inimigo principal", Rui Rio respondeu: "Não sei se é exatamente ao contrário. Agora, o PS não é o inimigo do Chega. Quantos mais votos houver no Chega mais facilmente o doutor António Costa continua como primeiro-ministro, portanto, o doutor António Costa é um dos interessados em que o Chega tenha uma grande votação, isto é absolutamente evidente".

Por outro lado, relativamente a um eventual crescimento do Chega que se torne decisivo para viabilizar os instrumentos principais da governação de um executivo do PSD, Rio colocou a questão noutro ângulo: "Quando o PS diz que eu preciso dos votos do Chega para votar, por exemplo, um Orçamento, então também o PS precisa dos votos do Chega para derrotar um Orçamento meu".

O presidente do PSD criticou que se considere que "se os deputados que o Chega eleger resolverem votar de uma dada maneira, isto é uma coisa terrível", mas "se for da outra que beneficia o PS, já não é coisa terrível".

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