Rio acusa Costa de tentar "comprar votos" para o PS com a bazuca

O líder do PSD assume que a implantação territorial do partido tem de crescer nas eleições autárquicas, depois dos "resultados desfavoráveis" nos sufrágios de 2013 e 2017.

O presidente do PSD, Rui Rio, acusou o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, de fazer fogo-de-artifício com a "bazuca" e considerou que a governação socialista é "marcada pelo facilitismo e irresponsabilidade".

"O mais notório (...) é o anúncio de facilidades que o primeiro-ministro e que o Governo fazem em cada canto e em cada esquina. O primeiro-ministro, António Costa, usa a 'bazuca' para fogo-de-artifício de facilidades e ilusões, ao género da bandalheira socialista que já nos levou à banca rota", disse Rui Rio.

O líder do PSD falava no 1.º Encontro de Mulheres Autarcas Social-Democratas, que se realiza hoje na Batalha, distrito de Leiria.

Munido de folhas, o social-democrata afirmou que "isto são os milhões que o dr. António Costa anunciou nos últimos tempos aos portugueses", começando por elencar os "330 milhões para comboios, 554 milhões para o Metro de Lisboa, 723 milhões para ligações ferroviárias, 66 milhões para o Metrobus no Porto, 139 milhões para o Metro do Porto, mais 219 milhões para o Metro do Porto, mais 50 milhões para uma ponte no Douro, mais 2.750 milhões para habitação".

No discurso, Rio continuou a enumerar os milhões para outras áreas ou investimentos, avisando que "as folhas sucedem-se umas às outras".

"Isto faz-me lembrar quando eu era miúdo e passava por uma feira e via aquelas camionetas a vender lençóis e diziam 'e leve este lençol e pelo mesmo preço leve um e também leva o travesseiro e ainda leva mais um cobertor e uma chupeta para a criança. Leva tudo e não paga dez, não paga nove, não paga oito, paga cinco e pode levar também ainda um carro para a criança brincar'", ironizou.

Ainda referindo-se aos milhões, o dirigente social-democrata assegurou que estão nas folhas "aquilo que nos últimos dias o primeiro-ministro, António Costa, tem andado a fazer, tentando captar a ilusão e comprar os votos para o PS de acordo com isto que ninguém acredita que possa ser tudo feito".

"Esta é a política do PS e, neste caso concreto agora, é o primeiro-ministro, que já não se percebe se é com o fato de líder do PS ou com o fato de primeiro-ministro anda a prometer tudo e mais alguma coisa. Não interessa se cumpre ou não", declarou, considerando ser "evidente que isto não pode ser cumprido".

Segundo Rui Rio, "isto já tem mais valores do que é a própria 'bazuca', muito mais do que isso, mas o que interessa é andar a semear ilusões para as pessoas, para que as pessoas no dia 26 de setembro [data das eleições autárquicas] votem no Partido Socialista acreditando que isto vai ser cumprido", quando tem a certeza de que "disto muito pouco vai ser cumprido".

Para Rui Rio, "o PS não conhece é o rigor e responsabilidade, só conhece o facilitismo e a ilusão".

Ainda sobre a governação socialista, sustentou ser "marcada, acima de tudo, pelo facilitismo e a irresponsabilidade", citando, entre outros, os exemplos do Novo Banco, da TAP ou da nomeação de familiares e de militantes do PS para cargos públicos.

No encontro, também esteve a antiga presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, que considerou que Portugal é "um país com pouca sorte", porque no momento em que podia "ter meios para poder ultrapassar determinados constrangimentos", não vai "assistir a mais nada a não ser àquilo que é a propaganda socialista".

"Como é possível que se tente enganar as pessoas, que se tente prometer aquilo que se sabe que não se tem?", questionou.

O Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, a designada "bazuca", tem o valor de 16,6 mil milhões de euros - 13,9 mil milhões de euros em subvenções e 2,7 mil milhões de euros em empréstimos

PSD tem de crescer após resultados de 2013 e 2017

"Estas autárquicas são também importantes para o PSD em concreto, justamente pelos resultados desfavoráveis que tivemos em 2013 e em 2017. E, portanto, a implantação territorial do PSD tem de crescer", disse Rui Rio.

Antes, Rui Rio referiu que há "64 mil pessoas que são candidatos ou candidatas pelo PSD ou pelo PSD com coligação" nas eleições autárquicas de setembro, sendo que "cerca de 30 mil são mulheres".

Para o social-democrata, estes 64 mil nomes "mostram a importância das eleições autárquicas", destacando a necessidade de "reforçar o papel destas pessoas, daqueles que forem eleitos, no terreno no dia-a-dia".

"A grandeza de um partido, e em particular do PSD, decorre das milhares de pessoas que aqui vamos eleger, muito mais do que as dezenas de deputados que possamos ter", considerou Rui Rio, reiterando que "o futuro, o do PSD, enquanto grande partido, depende, acima de tudo, daquilo que são os eleitos locais, muito mais o que aquilo que são os eleitos nacionais"

O dirigente do PSD declarou que o partido tem "eleitos mais de 13 mil pessoas neste momento em funções", assinalando que a "importância de umas eleições autárquicas também não correm ao lado daquilo que é a política nacional".

"Também é importante este resultado de dia 26 para aferirmos da aceitação do Governo, da maior ou menor aceitação do Governo", observou.

Sobre o Poder Local democrático, realçou que tem "um papel absolutamente determinante" na qualidade de vida no dia-a-dia.

"Há uma ideia de que o mais importante é o Poder Central, é o Governo". Não será exatamente assim se nós pensarmos naquilo que é o nosso quotidiano, naquilo que é o nosso dia-a-dia. Naquilo que é o nosso dia-a-dia, as decisões do Poder Local têm quase tanto ou a mesma importância e às vezes mais do que aquilo que são as decisões do Poder Central", afirmou.

"Por isso, as eleições autárquicas são importantes, porque as decisões que o Poder Local toma são decisões decisivas para aquilo que possa ser a nossa qualidade de vida e as nossas oportunidades no concelho em que vivemos", disse.

Rui Rio sustentou ainda que, apesar de "muitas decisões erradas", no balanço o Poder Local democrático transformou aldeias, vilas e cidades que "são hoje muitíssimo melhores do que eram há umas décadas", notando tratar-se, "efetivamente, de uma grande conquista do 25 de Abril".

atualizado às 20.13

Mais Notícias

Outras Notícias GMG