"Regime corrupto e torcionário descredibilizaria CPLP"

Eurodeputada socialista posiciona-se contra a entrada da Guiné Equatorial na cimeira de Dili por recusar a ideia de que a CPLP se transforme numa "lavandaria" financeira de um país que "está no topo das violações aos direitos humanos".

"Se Portugal viabilizar, com o seu voto, [a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] eu própria farei tudo o que for possível para que o País e os seus governantes sejam responsabilizados." Foi desta forma que Ana Gomes anteviu esta sexta-feira a eventual adesão do país africano à CPLP, deixando o apelo ao Governo e às entidades timorenses - onde vai decorrer, em julho, a próxima cimeira - para não "compactuarem com a situação".

E a eurodeputada socialista, que falava, em Lisboa, num debate organizado por uma plataforma de organizações não governamentais (ONG) sobre a questão dos direitos humanos na Guiné Equatorial, fundamentou a posição: "Um regime corrupto e torcionário descredibilizaria a CPLP e todo e qualquer país que a ela pertença."

Para Ana Gomes, a organização "não pode servir como instrumento de branqueamento de capitais" e "cobertura ao regime ditatorial e corrupto" de Teodoro Obiang Nguema, pelo que criticou as declarações recentes de Passos Coelho - o primeiro-ministro dissera que "não se pode ter uma visão estática da CPLP -, bem como a "contradição de Rui Machete" em Maputo, onde o ministro dos Negócios Estrangeiros referiu "não ter razões para duvidar" da palavra do Executivo de Malabo sobre a abolição da pena de morte.

A eurodeputada, que volta em 2014 a integrar as listas do PS a Bruxelas/Estraburgo, refuta ainda assim que a moratória sobre essa matéria tenha efeito "na prática", salientando que "a tortura continua a ser comum", bem como "os assassinatos extra-judiciais".

A Guiné Equatorial prepara-se para entrar na CPLP, em julho, depois de se comprometer com uma suspensão da pena de morte. Até aqui o único estado-membro que se tinha posicionado contra a adesão fora justamente Portugal.

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