Reforço da esquerda não pode ser feito à custa do PCP

O autarca de Loures e ex-líder parlamentar do PCP contesta que a convergência à esquerda nas próximas eleições legislativas deva ser feita à custa da "diluição do PCP". Explica: "Todas as posições são legítimas e devem ter expressão no plano político e eleitoral. O papel do PCP nessas eleições é muito importante e não pode ser diluído num qualquer outro fenómeno que venha apagar a nossa posição."

Para Bernardino Soares, as "convergências sempre existiram e existem com o Bloco de Esquerda na Assembleia da República com os Verdes. Quanto a outro tipo de situações, elas não beneficiam o posicionamento da esquerda." Sem se referir ao Partido Livre e ao Movimento 3D, o ex-líder da bancada comunista refere: "Não há nenhuma ligação direta entre um entendimento pré-eleitoral e o reforço da esquerda no plano eleitoral. Cada um deve ir com as suas forças e com as suas posições e procurar reforçar a esquerda."

Quanto ao voto contra o PEC IV que levou o PSD e o CDS ao poder e à prática de uma governação contrária aos ideais defendidos pelo PCP, Bernardino Soares não aceita o exemplo histórico de Álvaro Cunhal em 1986, quando o dirigente pediu aos militantes do PCP para votarem Mário Soares contra Freitas do Amaral, alegando que era um imperativo dos "trabalhadores, democratas e patriotas para travar a dinâmica ultrarreacionária e agressiva do Governo". O autarca recusa que fosse uma situação paralela: "Tratava-se então de eleger um Presidente da República e envolvia questões que vinham ainda do período revolucionário. Agora, tratava-se de um Governo que praticava a política de direita."

O acordo que entretanto realizou com o PSD para ter maioria na Câmara de Loures, garante, não impede que lute contra o PSD e o Governo.

Leia a entrevista completa na edição em papel ou e-paper de hoje do DN

Mais Notícias

Outras Notícias GMG