Quem dividiu não pode unir, acusa Seguro

Secretário-geral socialista apontou o dedo a Costa, dizendo que quem provocou a divisão do partido não pode agora querer unir. E sem se referir a Mário Soares recordou a frase de Antero que o levaria ao PS.

António José Seguro notou esta quarta-feira à noite em Resende, num jantar com simpatizantes e militantes, que depois das eleições primárias de 28 de setembro é preciso "de unir o PS", mas desconfiou da capacidade do seu adversário, António Costa, em fazê-lo. "Quem criou a divisão é que está em condições de unir o PS", questionou os cerca de 800 presentes (de acordo com os números da candidatura).

Para o secretário-geral socialista - que não fez qualquer referência ao desafio de Mário Soares para se demitir da liderança - foi António Costa "quem provocou esta divisão no PS". E ironizou com o facto do autarca de Lisboa se apresentar agora como o garante dessa união socialista. E logo rebateu: "Quem está em melhor condições [de unir o partido] foi quem ao longo destes três anos contribuiu para essa união", disse de si próprio Seguro.

No dia seguinte às eleições primárias, o líder socialista assegurou que vai "continuar a trabalhar para retomar" o "caminho" que até aqui estava a ser seguido pela sua liderança.

O discurso foi pontuado com farpas ao seu adversário. Num interior afetado pelo encerramento de serviços, como o tribunal, ou a extinção de freguesias, recordando a proposta de Costa, quando foi ministro da Administração Interna, do Governo PS, que queria extinguir freguesias com menos de mil habitantes. "Quem vive em Lisboa e não conhece o País diz disparates destes", apontou o dedo.

O seu discurso seria rematado com uma citação de Antero de Quental, que o levaria a inscrever-se no PS, como contou aos presentes. "Onde estiverem as injustiças, é aí que devem estar os socialistas." Uma nota só aparentemente de rodapé. Mário Soares no Algarve - onde acusou Seguro de se ter "associado à direita" - deve ter ouvido.

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