PSD pergunta porque é que anterior governo não averiguou

O PSD lamentou hoje o que considera um "processo de intenções" contra o secretário de Estado do Tesouro demissionário e reclamou a "averiguação" da "eventual ocultação de atos que podem configurar ilícito criminal por elementos ligados ao anterior Governo".

"O Partido Social Democrata lamenta o facto de o secretário de Estado do Tesouro demissionário ter sido alvo de um processo de intenções cirurgicamente conduzido por pessoas que forneceram à imprensa documentos, que hoje já se sabe terem sido manipulados", declarou o vice-presidente e porta-voz do PSD, Marco António Costa.

Numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, Marco António Costa, referindo-se à abordagem relatada na imprensa de entidades bancárias a elementos ligados ao anterior Governo para a venda de produtos financeiros que, "alegadamente permitiriam adulterar ou falsificar as contas do Estado português", questionou-se "como é que o Governo de então não denunciou tais práticas ao Ministério Público e ao Banco de Portugal".

"Esta é a atitude exigível para agentes do Estado quando confrontados com comportamentos que podem configurar a prática de atos ilícitos", afirmou.

"Atendendo ao alarme público que este assunto suscita e às consequências políticas que o mesmo já ditou, o PSD reclama das entidades competentes a averiguação dos factos agora divulgados pela imprensa, para esclarecer, nomeadamente, a eventual ocultação de atos que poderão configurar ilícito criminal por elementos ligados ao anterior Governo", declarou.

Segundo o PSD, "fazendo fé no relatado pela imprensa, quanto ao conteúdo das alegadas reuniões realizadas em 2005 por instituições financeiras e elementos ligados ao anterior Governo, não se pode deixar de questionar o que se passou na altura".

"Numa sociedade livre, não há factos políticos por esclarecer. A democracia e a opinião pública nunca podem ficar reféns de ambiguidades ou de documentos manipulados", considerou Marco António Costa.

O secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, apresentou hoje a demissão do cargo, na sequência da polémica que envolve o caso 'swap', de acordo com um comunicado do ministério das Finanças.

Pais Jorge demite-se a pouco menos de duas semanas no cargo, tendo tomado posse a 26 de julho.

Numa declaração de uma página, enviada pelo ministério das Finanças, Joaquim Pais Jorge adianta que aceitou o convite para o cargo "com muito orgulho", já que "a situação que o país atravessa é dificílima", considerando por isso ser "uma enorme honra em poder ajudar" um país que estava sob assistência financeira.

No entanto, apesar de saber que "desde o primeiro momento as dificuldades seriam imensas", Joaquim Pais Jorge disse que "perante a grandeza destes desafios" nunca pensou "que os maiores obstáculos emergissem do domínio estritamente pessoal".

"Enganei-me", sublinhou, acrescentando: "As notícias vindas a público nos últimos dias, em que uma apresentação com mais de oito anos foi falseada para que incluísse o meu nome, revelam um nível de atuação política que considero intolerável. A minha disponibilidade para servir o país sempre foi total".

No entanto, o secretário de Estado demissionário acrescentou não ter "grande tolerância para a baixeza que foi evidenciada".

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