PSD exige à oposição apresentação de alternativas

O PSD exigiu hoje a apresentação de alternativas às medidas de austeridade, enquanto o BE pediu que a maioria explique a um país "suspenso" entre comunicações do Governo e manifestações a dimensão dos cortes em salários e serviços.

"Não estamos em momentos que permitam futilidades. Quando são feitas objeções, quando há discordâncias, têm que ser apresentadas alternativas. Hoje, mais do que nunca, exige-se seriedade na discussão política", defendeu o deputado do PSD Fernando Negrão, numa declaração política na Assembleia da República.

Antes, já o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, tinha desafiado os partidos da maioria governamental a esclarecer quais são as medidas que vão substituir a medida relativa à Taxa Social Única (TSU), argumentando que "o país está suspenso entre as comunicações do Governo acerca das medidas de austeridade e as várias manifestações, que vão despertando o clamor na sociedade portuguesa".

"É preciso um sobressalto cívico", disse Luís Fazenda, defendendo que a direita não pode ficar em silêncio.

A declaração política de Luís Fazenda não teve nenhum pedido de esclarecimento por parte do PSD e do CDS, o que o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, considerou tratar-se de "um sinal de fraqueza de uma maioria em que já ninguém pede a palavra para defender o Governo dos ataques dos partidos da oposição".

"Não é um silêncio de inocentes, é um silêncio de culpados pela situação em que estamos, que não querem dar a cara para defender o caminho para onde nos querem levar", acusou.

Depois, na sua declaração política, o social-democrata Fernando Negrão defendeu que "Portugal necessita de estabilidade e não de discursos de guerrilha" e que é "necessário evitar" a "demagogia" e o "populismo", pedindo "responsabilidade".

A deputada do PS Sónia Fertuzinhos respondeu a Fernando Negrão com perguntas: "Falou de demagogia, estava referir-se a quem? Ao senhor primeiro-ministro no Pontal? Populismo? Também gostei de o ouvir falar de populismo, mas qual? Do PSD e do CDS na campanha?", questionou.

"Falou de responsabilidade, a que não souberam assumir quando chumbaram o PEC IV, a que não souberam assumir quando negaram a crise internacional?", interrogou.

"O país não aguenta mais. O que é que é preciso para que a maioria e o Governo reconhecerem que é preciso mudar de política?", acrescentou.

O vice-presidente da bancada do CDS-PP João Almeida considerou que é "chocante do ponto de vista da credibilidade ouvir o Partido Socialista dizer que a responsabilidade da situação do país é exclusivamente deste Governo".

Segundo o CDS-PP, "é evidente que não há alternativa" por parte do PS, criticando ainda o "discurso político da alternativa" de partidos como o BE, que disse passar pela liberalização do cultivo e do consumo da canábis.

A deputada de "Os Verdes" Heloísa Apolónia contrapôs, por seu turno, que "as alternativas têm sido apresentadas" e passam nomeadamente pela dinamização do mercado interno.

"A solução para o problema do país está em primeira mão em não roubar os portugueses. Essa é a forma de os portugueses terem poder de compra e serem agentes dinamizadores do nosso mercado interno, mercado interno que os senhores odeiam", defendeu.

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