PSD e CDS dizem "sim" aos debates sobre a dívida

Maioria acusa PS de "querer ganhar eleições sem dizer nada" e deixa o aviso: discussão, sim; um processo que se arraste por muito tempo, não. Manifesto dos 74 une PCP e BE na "necessidade" de renegociação.

A maioria PSD/CDS sinalizou esta quarta-feira, no Parlamento, estar disponível para um debate alargado sobre a dívida pública, respondendo com um "sim" ao projeto de resolução do PS, apreciado pelos deputados à boleia do Manifesto dos 74, agora convertido em petição.

Na Assembleia da República, o deputado Nuno Reis assinalou que o PSD "está disponível para discutir", estabelecendo como condição que "o processo" de audições "não se arraste no tempo". E apontou a próxima conferência de líderes como o local adequado para "definir a metodologia" a adotar no âmbito desses trabalhos. A ideia da bancada social-democrata é iniciar a discussão logo após os debates sobre o Orçamento do Estado para 2015.

Semelhante linha de raciocínio foi apresentada por Cecília Meireles, que atribuiu aos socialistas o "prémio da má memória" por não reconhecerem que o problema da dívida teve a montante "má gestão orçamental", recuando implicitamente até ao governo de José Sócrates para atacar a bancada 'rosa'. Pelo meio, um desafio: "Vamos debater, vamos fazer um debate alargado, diga o PS de uma vez para sempre aquilo que quer."

Isto porque antes Vieira da Silva (PS) observou que "o problema da dívida cresceu assustadoramente com a austeridade" aplicada pelo executivo PSD/CDS e contrapôs aquela que disse serem as duas posições antagónicas no hemiciclo: a daqueles que querem ser "os campeões das soluções", apontando o dedo ao PCP e ao BE, e os que pretendem "bloquear o debate", referindo-se aos grupos parlamentares da maioria.

Pelo PCP - também apresentou um projeto de resolução -, Paulo Sá lembrou que o partido já avançou com sete iniciativas sobre o tema da dívida e destacou que o PS quase sempre se posicionou "ao lado da maioria". E exortou os socialistas a dizerem ao que vão, isto é, "se se comprometem com o objetivo de renegociação" ou se "pretendem criar apenas uma ilusão de mudança".

Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE - também fez entrar uma iniciativa -, insistiu na "imperiosa necessidade de reestruturação", vincando que a dívida tem sido "uma arma de chantagem do governo para atirar contra direitos, salários e pensões", pelo que considera ter chegado a hora de fazer alguma coisa. E apelou a sociais-democratas e centristas que não coloquem entraves à discussão.

Mais Notícias