PSD aposta no líder da JSD e deixa cair apoio a Isaltino Morais

As estruturas locais sociais-democratas queriam o partido a apoiar o antigo militante, mas Rui ​​​​​​​Rio entendeu que é preciso "apostar no futuro" e ter uma "presença honrosa" num dos municípios mais ricos do país.

"Agradeço, pois, a confiança que o PSD depositou em mim. E tudo farei para honrar e superar as expectativas em mim depositadas nesta disputa difícil. O meu partido chamou-me e eu decidi dizer presente". Foi assim que Alexandre Poço, líder da JSD, assumiu o combate autárquico em Oeiras, um município onde vai enfrentar o antigo militante social-democrata Isaltino Morais, que se recandidata como independente.

Foi com alguma surpresa que no partido foi recebida esta escolha de Rui Rio, depois de tudo apontar para que o PSD viesse a dar o seu apoio à candidatura de Isaltino Morais, tal como foi defendida pela concelhia social-democrata, presidida por Armando Soares.

Fontes sociais-democratas disseram ao DN que dentro da direção do PSD sempre houve uma corrente de contravapor à opção Isaltino. Sobretudo com o argumento de que o partido devia "semear" um candidato para "colher" mais tarde, quando Isaltino atingir o limite de mandatos.

Rui Rio praticamente assumiu isso de viva voz, em entrevista à RTP na quarta-feira à noite, quando relembrou que as estruturas locais tinham defendido que o PSD não deveria apresentar lista nenhuma e apoiar o atual presidente e antigo militante do PSD. "Decidimos que o PSD não poderia deixar de apresentar, pela primeira vez, um candidato no décimo maior concelho em termos populacionais e que, em termos económicos, está seguramente acima do décimo", justificou.

Quanto à escolha do deputado de 28 anos, munícipe de Oeiras, e líder da JSD - e que foi um dos apoiantes do ex-adversário Luís Montenegro -, Rio explicou-a como uma aposta "de futuro" numa eleição em que o partido tem de ter "uma presença honrosa".

Mas admitiu: "A última coisa que sou é hipócrita: ganhar Oeiras a Isaltino Morais não é uma impossibilidade, mas é muito difícil (...) Vamos competir num patamar diferente, vamos dar uma solução de futuro a Oeiras".

Alexandre Poço, que também é deputado, afirma avançar para este projeto "com muito orgulho no meu concelho, nos indicadores de desenvolvimento que caracterizam o presente de Oeiras, por contraponto com os concelhos vizinhos prejudicados pelas más governações socialistas".

Recorda que Oeiras é o concelho onde nasceu, onde cresceu, onde estudou, onde se formou enquanto cidadão, onde vive e onde tem atividade autárquica. "Presidi à JSD em Oeiras e nas últimas eleições autárquicas fui candidato pelo meu partido à presidência da Junta de Freguesia de Porto Salvo. Desde então, sou autarca na minha Assembleia de Freguesia".

Na semana passada, quando anunciou formalmente a sua recandidatura, Isaltino Morais deu os primeiros sinais de o partido de Rui Rio, a quem elogiou muito em entrevista recente ao DN, não o iria seguir no combate autárquico e já dava como "difícil" esse apoio. E até o dispensava. "Ter o apoio do PSD ou de outro partido é positivo. Mas do ponto de vista eleitoral, fico mais confortável sem apoio dos partidos. Porque tenho mais votos sem partidos".

Alexandre Poço, nascido em Oeiras há 28 anos, é mesmo o primeiro político da família, que diz de origens modestas. Perdeu o pai num acidente de automóvel aos 3 anos e foi criado com a mãe, com quem ainda vive, e dois irmãos, David e Débora. Estudou em Paço de Arcos nas escolas públicas onde seguiu a tradição de participar na vida associativa escolar.

"Um certo idealismo que podia mudar alguma coisa fez-me ter vontade de me inscrever num partido", afirmou o líder da jota ao DN na altura em que assumiu o comando da JSD. Sá Carneiro como, é óbvio, foi fonte de inspiração. Sobretudo para o que a política deve servir. "Para que as pessoas se realizem e para que os filhos tenham igualdade de oportunidades e uma vida ainda melhor do que a dos pais", disse. "Não se pode viver completamente livre rodeados de pobreza."

É agora candidato a um município que tem o maior poder de compra a seguir a Lisboa, onde os rendimentos medianos são os mais elevados do país e onde a qualidade de vida é reconhecida pelos habitantes.

paulasa@dn.pt

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