PS nacional deverá confirmar Valdemar em Pedrógão Grande

Depois de aprovado por maioria pela comissão política concelhia, em março, o nome de Valdemar Alves, alvo de um processo judicial, foi chumbado por 26 votos, contra 22 que o aprovaram na distrital, além de sete votos em branco. Agora deve voltar a ser candidato.

A comissão política nacional do Partido Socialista prepara-se para avocar o processo de candidatura de Valdemar Alves em Pedrógão Grande, e confirmá-lo como candidato.

Walter Chicharro, presidente da Federação Distrital de Leiria, confirmou ao DN ser essa a solução provável, depois de o nome do atual presidente da câmara ter sido chumbado pela comissão política distrital para concorrer pelo partido às eleições autárquicas.

"Solicitei à nacional que avocasse o processo, com imputes da concelhia de Pedrógão Grande - onde o nome de Valdemar foi aprovado quase por unanimidade - e de mim próprio, enquanto presidente da Federação, considerando o que são as orientações nacionais do partido: que os presidentes em funções sejam recandidatos aos cargos. Nesta altura é o melhor a fazer", afirmou ao DN, embora se escuse a comentar se o polémico autarca é ou não "a melhor escolha".

Depois de aprovado por maioria, em março, pela comissão política concelhia, o nome de Valdemar Alves foi chumbado pela distrital, na semana passada, por 26 votos. A favor votaram apenas 22 membros, juntando a estes 7 votos brancos.

Esta será a segunda vez que o autarca encabeça uma lista apoiada pelo PS, embora a recandidatura seja para um terceiro mandato. Nas últimas eleições, Valdemar trocou o PSD pelo PS. Depois dos incêndios de junho de 2017, o autarca, de 72 anos, ex-inspetor da Polícia Judiciária, tem travado várias batalhas na justiça. Em janeiro deste ano foi formalmente acusado pelo Ministério Público de 11 crimes - sete de homicídio por negligência e quatro de ofensa à integridade física por negligência. E foi já depois disso que a concelhia aprovou o seu nome para recandidato.

Entretanto, também no seio da câmara nem tudo correu bem. Valdemar Alves acabaria por se incompatibilizar com a vice-presidente, Margarida Guedes, retirando-lhe os pelouros. E passou a ser secundado no executivo por Nelson Fernandes, o próprio presidente da concelhia do PS.

"Não é de espantar que o aprovem. Na concelhia os 11 membros são quase todos da mesma família, à imagem do que acontece na câmara, em que até o chefe de gabinete é filho do presidente", disse ao DN fonte da distrital do PS, que prefere o anonimato.

Já na semana passada, depois da surpresa da votação, o presidente da federação de Leiria dissera ao DN que o caso deveria agora ser decidido pela nacional. O facto de não ser consensual não o espantava: "Isso acontece com todas as candidaturas, que têm sempre votos contra e votos em branco". De resto, isso mesmo terá acontecido com o seu próprio processo, na Nazaré, onde é recandidato a um terceiro e último mandato.

Quanto a Valdemar Alves, continua sem responder aos contacto dos jornalistas.

Candidaturas talvez em julho?

Os socialistas estão a protelar o anúncio das candidaturas autárquicas. O que se explica em boa parte pelo facto de o PS ser poder na maioria dos municípios, ao todo tem 159 câmaras, e com apenas 20 autarcas que já não se poderão recandidatar porque terminam o terceiro mandato.

O anúncio formal das candidaturas deve acontecer mais para julho, altura para a qual o partido de António Costa está a preparar o congresso nacional.

O secretário-geral do PS, António Costa, já defendeu que a realização do congresso nesse mês "é essencial para a preparação das eleições autárquicas" e, sobre a possibilidade de um novo adiamento, por exemplo para 2022, disse que "até comprometeria a preparação das eleições legislativas" por parte do seu partido.

Na área socialista, que venceu as eleições de 2017 ao conquistar 159 câmaras, estão de saída, entre outros, os novos "dinossauros" de Barcelos (Miguel Costa Gomes), Viana do Castelo (José Maria Costa), Castelo de Paiva (Gonçalo Rocha), Miranda do Douro (Artur Neves), Oliveira do Hospital (José Alexandrino), Penacova (Humberto Oliveira), Seia (Carlos Figueiredo) e Vila do Bispo (Adelino Soares).

Com Paula Sá

dnot@dn.pt

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