PS desafia PSD a revelar "agenda escondida" de cortes

Prossegue troca de acusações entre os dois partidos. Agora socialistas querem que Governo diga o que acordou com a 'troika' para depois das eleições europeias. Porta-voz social-democrata acusa PS de ter "enganado" portugueses.

O secretário nacional do PS António Galamba desafiou hoje o vice-presidente do PSD Marco António Costa a divulgar a "agenda escondida" de cortes que, afirma, o Governo acordou com a "troika' para concretizar após as eleições europeias.

"Era bom que o doutor Marco António Costa se deixasse de manobras de diversão para distrair a atenção dos portugueses e esclarecesse os portugueses quais são os cortes nas pensões, nas reformas e nos rendimentos dos portugueses e provavelmente em áreas fundamentais, como a saúde e a educação, que o Governo se prepara para concretizar após as eleições europeias", afirmou à Lusa António Galamba.

O vice-presidente do PSD Marco António Costa acusou hoje o PS de ter "enganado e iludido" os portugueses, considerando que "caiu a máscara" aos socialistas quando reconheceram que não será possível repor os níveis salariais anteriores a 2011.

"O PS aquilo que faz é grandes proclamações piedosas de políticas para tentar iludir os portugueses, mas sabe e tem consciência que aquilo que está a dizer não é possível, não é realizável. E ontem [quinta-feira] caíram as mascaras", afirmou o vice-presidente e porta-voz do PSD, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com responsáveis da CGTP-IN.

António Galamba respondeu que Marco António Costa "é um dos rostos de um Governo que aumentou impostos, que cortou nas pensões, nos rendimentos dos portugueses, que foi, em muitas matérias além da "troika'". "A paciência tem limites e a falta de sentido de responsabilidade também", declarou. "O que os portugueses queriam de esclarecimentos era saber que outros cortes é que o Governo e a maioria PSD/CDS se comprometeu com a "troika', qual é a agenda escondida que têm preparada para apresentar aos portugueses", desafiou.

O socialista acusou Marco António Costa de tentar "todos os dias desviar a atenção dos portugueses do essencial". "O essencial é que este Governo tem insistido numa agenda de cortes, austeridade e sacrifícios e tem acordados com a "troika' mais cortes, mais austeridade e mais sacrifícios, que os portugueses não sabem ao certo em que matérias vão ser aplicadas", disse.

Por sua vez, Francisco Assis considerou ser "sensata" a declaração de Óscar Gaspar, conselheiro económico de António José Seguro, que disse que "não é possível voltar a repor os rendimentos dos portugueses ao nível de 2011".

"O PS contrariamente ao que o PSD fez nas últimas eleições, em que prometeu mundos e fundos, não vai fazer agora promessas irresponsáveis e não vai dizer que, no dia seguinte às eleições, vai repor tudo tal e qual estava há uns anos atrás", afirmou à agência Lusa.

Isto porque, segundo o candidato, o PS "bem sabe que o País está hoje pior do ponto de vista económico e social" e que "houve uma regressão nestes anos". No entanto, Assis garantiu que os socialistas querem precisamente "inverter a política económica para que seja possível repor tudo isso" e para que "se possa voltar a apostar no crescimento da economia através também de um relançamento do próprio mercado interno".

Na quarta-feira à noite, na SIC Notícias, e questionado sobre se o PS quando for Governo repõe os salários, pensões e prestações sociais ao nível de 2011, o conselheiro económico do PS Óscar Gaspar respondeu: "A resposta séria é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do PS nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011 porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem".

Na quinta-feira, o porta-voz do PSD e coordenador da comissão política Marco António Costa pediu para que o PS esclarecesse se as afirmações do conselheiro de António José Seguro "coincidem com as do Governo, e com o realismo da situação, ou se é a posição que tantas vezes se ouve pela voz de outros dirigentes do PS que prometem o céu e a terra aos portugueses" perto das eleições.

Na resposta, Óscar Gaspar disse, à margem de uma sessão da convenção "Novo Rumo para Portugal", que, "ao contrário do Governo", o PS trabalhará, quando chegar ao executivo, para repor salários e pensões, mas sublinhou que "não há varinhas mágicas na economia".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG