Programa da UGT aprovado por "larga maioria"

Os delegados ao XII Congresso da UGT, que termina hoje em Lisboa, aprovaram na generalidade, "por larga maioria", a Resolução Programática, tendo havido apenas 23 votos contra e seis abstenções.

Antes da votação, o presidente da UGT ainda em funções, João de Deus, informou os delegados que a Mesa do congresso recebeu várias moções, as quais não foram aceites porque, explicou, "não são verdadeiramente moções, são propostas de alterações à resolução programática, o que significa que não podem ser aceites pela Mesa", justificando com formalidades estatutárias.

Na sua Resolução Programática, a central sindical afirma que "o XII Congresso da UGT ocorre no momento em que Portugal atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história recente, com um risco de espiral recessiva, com um nível insustentável de desemprego, com fortes pressões para uma cada vez maior desregulação das relações laborais, com o agravamento da pobreza".

A central sindical defende a unidade na ação do movimento sindical, em especial com a CGTP -- Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses e os seus sindicatos.

"Apesar de todas as dificuldades com a CGTP, face à sua atitude vanguardista, é possível a unidade de ação em múltiplas ações sindicais", lê-se no documento.

Na Resolução Programática, discutida e aprovada na reunião magna, a UGT defende que o combate à crise exige políticas de crescimento e emprego, o combate às desigualdades sociais e uma resposta à pobreza e à exclusão social.

"É fundamental criar condições para que os portugueses possam recuperar a esperança no futuro, para o que são indispensáveis mudanças profundas nas políticas", afirma a central sindical na resolução que define as orientações a seguir nos próximos quatro anos.

A UGT considera que o país não pode continuar "com políticas apostadas na desregulação económica e social e que não se preocupam com o aumento do desemprego, que atinge um milhão de portugueses, em breve ultrapassado, e com situações de carência e de pobreza que atingem grande parte da população, em especial as crianças e os idosos".

A UGT defende "uma negociação séria" com a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) para redução das taxas de juro, dilatação dos prazos de pagamento da dívida e um período de carência no pagamento de juros e amortizações, de modo a libertar recursos financeiros do Orçamento do Estado para políticas de crescimento económico e emprego.

No documento programático, a UGT defende ainda "um sindicalismo de proposição e ação, na base de compromissos, quer por via do diálogo social tripartidos, quer por acordos de negociação coletiva", porque considera que "o diálogo e a negociação são bases fundamentais do Estado democrático e instrumentos para a melhoria das condições de vida e de trabalho".

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