Proença diz que distinção homenageia "papel do diálogo social"

O antigo secretário-geral da UGT, João Proença, hoje agraciado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, considerou a distinção como uma "homenagem ao diálogo social".

"Ser agraciado hoje significa uma homenagem também ao papel do diálogo social e ao papel da UGT também no combate à crise", disse.

João Proença, que falava aos jornalistas à margem da sessão solene do Dia de Portugal, em Elvas, lamentou que o país não esteja a conseguir vencer a crise e que o acordo de concertação social esteja "já esgotado".

"A concertação social é um direito constitucional e tem que ser preservado", mas "o espírito de compromisso e a possibilidade de compromisso" estão "cada vez mais comprometidas com o agravamento claro da conflitualidade social perante medidas claramente inaceitáveis", afirmou.

O antigo líder da UGT foi uma das 40 personalidades hoje distinguidas pelo chefe de Estado, Cavaco Silva, na sessão solene das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Questionado sobre os apupos com que o primeiro-ministro, Passos Coelho, foi recebido hoje em Elvas, igualmente para as comemorações, João Proença afirmou que "o mal-estar é hoje imenso".

E o mesmo acontece com "o descontentamento dos portugueses perante as medidas" do Governo, o qual tem de "dar um sinal claro de mudança de políticas", nomeadamente no que respeita ao emprego e ao crescimento económico, essenciais para "ultrapassar a crise", defendeu.

"Se não houver esse sinal de mudança de políticas, eu acho que haverá de continuar cada vez mais o mal-estar e da conflitualidade social", alertou.

Também condecorado hoje por Cavaco Silva, o presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, confessou aos jornalistas ter sido "uma surpresa absoluta", mas também "um orgulho", a distinção.

Questionado sobre a situação que o país atravessa, o também autarca, que recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, admitiu que todos gostariam "que o ambiente fosse outro".

"Mas, como o Presidente da República também acentuou, a crise é connosco, temos que a superar. Com mais ou menos sacrifícios, vai ter que ser com os portugueses que ela tem que ser superada", afiançou.

Outro dos homenageados, com a distinção de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, foi Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas.

A propósito da atual conjuntura nacional, Manuel Lemos lembrou aos jornalistas que Portugal "já passou por crises muito graves".

"Esta [crise] é grave, com certeza, mas sempre soubemos com as instituições dar a volta e tentarmos ser mais felizes", argumentou.

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