PR esperado por protesto de trabalhadores de laboratórios

Os trabalhadores dos laboratórios de análises clínicas do Nordeste Transmontano vão manifestar-se, sábado, contra a retirada de doentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos convencionados, durante uma visita do Presidente da República a Mirandela.

Os manifestantes vão concentrar-se, vestidos de preto, junto ao Centro Renal de Mirandela, que o Presidente da República vai inaugurar, e tentar entregar a Cavaco Silva um manifesto com as suas preocupações, segundo disse à Lusa Roberto Costa, um dos promotores da iniciativa.

Em causa está, segundo explicou, uma recente medida da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste que está a obrigar os utentes a realizarem análises clínicas nas unidades de saúde públicas, impedindo-os de recorrer aos privados que têm convenções com o SNS.

Desde o início desta semana, segundo Roberto Costa, que a medida, inserida nos cortes na saúde, está em vigor e as consequências já são visíveis nos laboratórios privados.

"Onde eu trabalho costumávamos atender 20 a 25 doentes por dia e houve um dia em que só atendemos dois", exemplificou.

Segundo disse, desde o início da semana que os centros de saúde estão a passar aos doentes um novo modelo de requisição interno para análises clínicas, imposto pela ULS, que permite apenas a realização dos exames nas unidades de saúde públicas.

As consequências, continuou, são mais visíveis nas principais cidades da região, Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros, onde existem os três hospitais sob a tutela da ULS, que gere também os 15 centros de saúde do Nordeste Transmontano.

Roberto Costa explicou que o movimento que representa "é espontâneo" e constituído, sobretudo por trabalhadores do setor dos convencionados de análises clínicas que sentem os postos de trabalho ameaçados nesta região.

"São cem postos de trabalho que estão em causa", disse, acrescentando que estas empresas "foram apanhadas de surpresa pela medida" que, no entender destes trabalhadores "só está a tirar direitos às pessoas e é de poupança duvidosa".

"O nosso peso nos gastos da ULS é de dois por cento, não é com esta medida que vai resolver o passivo de 30 milhões de euros", afirmou.

A medida só está em vigor há alguns dias e "já se instalou o caos completo nos hospitais, com doentes a esperarem três horas para fazer uma recolha de sangue", segundo relatou.

"Nós queremos alertar para que parem um bocadinho, pensem e façam contas", declarou, referindo-se ao protesto marcado para a visita do Presidente da República.

Segundo disse, os manifestantes vão apresentar-se vestidos de preto, em sinal de luto, porque consideram que com estas medidas "estão a matar o setor" em que trabalham e os respetivos postos de trabalho.

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