PR angolano organiza este sábado jantar de anos de António Costa

Para António Costa, o jantar, "mais do que propriamente uma festa pessoal, trata-se de um gesto diplomático de grande alcance e significado sobre a intimidade das relações entre Portugal e a Angola, entre os portugueses e os angolanos".

O primeiro-ministro português afirmou ter ficado "muito sensibilizado" por o presidente de Angola, João Lourenço, organizar este sábado o seu jantar de aniversário, mas entende esse gesto, sobretudo, como sinal diplomático sobre as "excelentes" relações luso-angolanas.

António Costa completa hoje 60 anos em dia de cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e João Lourenço encarregou-se de organizar esta noite, no Palácio Presidencial, um jantar para festejar o seu aniversário.

"Acho que é um gesto carinhoso, simpático que me sensibiliza muito da parte do Presidente João Lourenço e que é, sobretudo, um sinal da excelente relação que hoje existe entre todos nós", declarou o líder do executivo português em declarações aos jornalistas à margem da XIII cimeira da CPLP, em Luanda.

Para António Costa, o jantar desta noite, "mais do que propriamente uma festa pessoal, trata-se de um gesto diplomático de grande alcance e significado sobre a intimidade das relações entre Portugal e a Angola, entre os portugueses e os angolanos".

"Reflete também a forma como a CPLP parte daqui desta cimeira de Luanda para a nova presidência angolana num novo espírito, o que é muito positivo", considerou o primeiro-ministro.

Perante os jornalistas, António Costa disse que também há progressos ao nível das relações luso-brasileiras e referiu que esta manhã, juntamente com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se com o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão.

"No final deste mês, o Presidente da República vai participar na reinauguração do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo - um marco importante para a cultura lusófona, depois da tragédia que foi o incêndio neste espaço. Todos colaborámos na reconstrução desse museu", observou.

O líder do executivo português afirmou mesmo acreditar que se está perante "um relançamento das relações entre Portugal e o Brasil, que para o ano terão o momento alto com a celebração do bicentenário da independência do Brasil", acrescentou.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP, que hoje celebra 25 anos.

Só pode pertencer à nossa comunidade quem é democrata, diz Costa

O primeiro-ministro avisou este s´sbado a Guiné Equatorial que só pode pertencer à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) se for democracia e referiu que este país entrou na organização nos tempos de Cavaco Silva e Passos Coelho.

Esta posição foi assumida por António Costa em declarações aos jornalistas à margem da cimeira de Luanda da CPLP, depois de interrogado sobre apelos feitos por vários responsáveis políticos da organização a favor do respeito pelos princípios da liberdade de imprensa e pelo fim da pena de morte.

"Há um problema com a Guiné Equatorial. Um problema que ninguém ignora, com a obrigação que tem no sentido de cumprir os compromissos que assumiu. Caso não os cumpra, não pode fazer parte desta comunidade. É um caso conhecido", respondeu o líder do executivo português.

Nesta cimeira de Luanda, perante o ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial, Simeon Esono, segundo António Costa, todos os restantes Estados-membros "já reafirmam o que é sabido".

"A CPLP não é só uma comunidade de língua. Esta é uma comunidade cultural que assenta em valores partilhados. Quando começámos nem todos eram democracias, mas o espaço da democratização tem-se vindo a alargar na CPLP", sustentou o primeiro-ministro.

Depois, deixou um aviso ao regime da Guiné Equatorial: "Quem não tem vontade de ser democrata, quem não tem vontade de partilhar estes valores, esta não é a sua comunidade".

Perante a insistência dos jornalistas nesta questão relativa à Guiné Equatorial, o primeiro-ministro disse "que não vale a pena acrescentar-se mais nada em relação àquilo que todos sabem desde o início".

Neste contexto, fez uma alusão ao passado recente político em Portugal, quando Cavaco Silva era Presidente da República e Pedro Passos Coelho primeiro-ministro, "altura em que se deu esse passo relativamente à Guiné Equatorial", que entrou na CPLP.

"Há um tempo que se tem vindo a esgotar. Não sou só eu que faço 60 anos e a CPLP que faz 25 anos. Há já vários anos que a Guiné Equatorial tem por cumprir os seus compromissos" acrescentou.

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