Porto e Sintra, duas câmaras nas mãos de Rio. Distritais à espera da decisão

O líder do PSD vai avançar nesta semana com mais nomes de cabeças-de-lista do partido às eleições de outubro. Espera-se um "nome forte" para a segunda cidade mais importante do país contra Rui Moreira.

Arrumada que está a candidatura do PSD, que se coligará com o CDS e talvez a Iniciativa Liberal, a Lisboa, com Carlos Moedas a encabeçar a lista, há outras duas câmaras que Rui Rio tem em mãos para decidir quem avançará pelo partido e que ainda não abriu o jogo às estruturas locais, a do Porto e a de Sintra. Espera-se mesmo no partido que o nome para a segunda cidade mais importante do país seja conhecido já nesta semana, e todos dizem que terá de ser um nome forte, depois de ter sido escolhida uma personalidade com tanto peso na capital.

Ao que o DN apurou, a primeira escolha do líder do PSD, Paulo Rangel, não deverá concretizar-se. O eurodeputado entende que não é este o momento de avançar para um combate eleitoral, depois de ter passado pelo das europeias, em que teve um mau resultado. No Porto, o combate com o independente Rui Moreira, que será apoiado pelo CDS e pela IL, é considerado mais difícil do que o que será travado entre Carlos Moedas e o socialista Fernando Medina.

O nome de que se continua a falar internamente, mas que poderá não ser a escolha final de Rio, é Vladimiro Feliz, que foi seu vice-presidente na Câmara do Porto, mas não tem dimensão nacional, nem peso dentro do PSD, como Moedas em Lisboa.

Além das capitais de distrito, em que a direção do partido tem poder de decisão sobre os candidatos, o mesmo acontece nas cidades com mais de cem mil habitantes. Aqui encaixa-se Sintra, um dos maiores municípios da Área Metropolitana de Lisboa e cujo nome do cabeça-de-lista ainda não deverá ser divulgado.

O candidato "natural" será Marco Almeida, vereador na Câmara Municipal de Sintra, que protagonizou uma candidatura independente contra o partido e quase ganhou as eleições, ficando muito à frente do então cabeça-de-lista do PSD, Pedro Pinto. O que lhe valeu a expulsão do partido, mas regressou em 2018 e explicou o porquê: "Acredito na liderança do Dr. Rui Rio e volto com grande convicção para dar uma ajudar à vitória do PSD nas eleições de 2019."

Mesmo antes disso, em 2017, foi desafiado pelo então presidente da distrital de Lisboa do PSD, Miguel Pinto Luz, a liderar a lista social-democrata, em coligação com CDS, PPM e MPT à autarquia.

Já na altura, a concelhia de Sintra do PSD era contra a sua candidatura, posição que se mantém, contra a da distrital de Lisboa, liderada por Ângelo Pereira. "Estamos à espera da deliberação da direção nacional", afirmou ao DN o responsável social-democrata.

Pedro Santana Lopes, agora independente - que andou a ser falado como uma hipótese para a Figueira da Foz -, está fora de jogo no município onde foi autarca depois das estruturas locais do PSD terem rejeitado o seu nome. Também chegou a ser noticiado como um dos potenciais cabeças-de-lista do partido a Sintra.

Também já se sabe quem será o candidato em Setúbal. O antigo líder parlamentar Fernando Negrão avança segunda vez para a corrida à Câmara, após ter ficado em segundo lugar nas autárquicas de 2005 com 25,43% dos votos, perdendo para Carlos de Sousa, que concorria com a CDU. "Aquele era o tempo do PCP", lembra. Mas agora é uma altura em que se "renovam as caras", disse ao Observador. Neste momento conta com o facto de a comunista Maria das Dores Meira - que atinge o limite de mandatos - deixar a autarquia para tentar recuperar o concelho de Almada para os comunistas, agora que está nas mãos da socialista Inês de Medeiros.

O candidato do PSD assumiu em entrevista ao Observador que tem a "visão de ganhar". "Vivo em Setúbal há 60 anos, acompanho a vida da cidade há muitos anos", afirma. Além disso, ainda deixou elogios a Carlos Moedas, dizendo que o timing para apresentação da sua candidatura não foi uma coincidência, mas que a escolha do antigo comissário europeu "é uma escolha da maior importância e da maior relevância". Disse ainda ser alguém que tem conhecimento necessário e suficiente para transformar Lisboa.

Bastonário em Coimbra

Também em Coimbra, Rui Rio vai impor a sua vontade. José Manuel Silva, antigo bastonário da Ordem dos Médicos, vai ser o candidato à autarquia. Pelo caminho ficou Nuno Freitas, o nome que a concelhia queria na corrida autárquica.

O anúncio foi feito pelo próprio Nuno Freitas na página de Facebook através de um vídeo no qual disse que "não estará nas próximas eleições autárquicas porque respeita a decisão legítima do partido". "Fui informado pela direção nacional, pelo secretário-geral, que o PSD decidiu não apoiar a decisão do PSD Coimbra, dos órgãos concelhios e distritais, de apoiar o meu nome. [O PSD] vai apoiar o professor José Manuel Silva", afirmou Nuno Freitas garantindo que respeitava a decisão "como militante disciplinado", embora considerando ser uma estratégia errada.

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