Portas diz ser "indiscutível" que país acaba programa e vai "reaver autonomia"

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou hoje, em Lisboa, ser "indiscutível" que Portugal vai completar o seu plano de ajuda económico-financeira externa, cujo final está previsto para maio, e "reaver a sua autonomia".

"Eu sei que há três anos era fácil comparar Portugal e Grécia. Também sei que hoje o que se discute é as semelhanças ou diferenças entre Portugal e a Irlanda. Há uns tempos atrás era simples e frequente ouvir discutir um segundo resgate. Hoje é indiscutível que Portugal vai terminar o seu programa e reaver a sua autonomia", declarou o membro do Governo, numa homenagem perante diplomatas, em Lisboa.

Paulo Portas foi distinguido, juntamente com a assessora para as relações internacionais do Presidente da República, a embaixadora Luísa Bastos de Almeida, pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL), no Grémio Literário, em Lisboa.

Aquela entidade considerou que ambos deram grande contributo para a melhoria das relações entre Portugal e os países ibero-americanos.

"Aqui há uns anos, quando se escrevia um telegrama diplomático sobre o défice em Portugal, tinha de se escrever 10%, certamente alguns terão escrito telegramas nos últimos dias a dizer que o défice até ficou abaixo dos 5%", continuou o líder do CDS-PP.

Para o "vice" de Passos Coelho, "quem tem a responsabilidade e o mérito dessa redução do défice e da despesa é o povo português, que aguentou com enorme dignidade e bom senso um período dificílimo", congratulando-se com os "sinais de mudança, de encorajamento, de vitalidade" da economia portuguesa.

"A América Latina sabe, à sua própria custa, o que são crises de dívida. São sempre hipotecas sobre gerações futuras. Por isso, estavam em condições de perceber melhor o que tinha sucedido no nosso país e a vontade enorme que tínhamos de superar a crise e reaver o nosso futuro", afirmou, dirigindo-se aos diversos representantes daqueles países em Lisboa.

Portas destacou variadas melhorias ao nível das exportações, nomeadamente em termos de penetração naquela região do globo, defendendo que a diplomacia económica tem de primar pelo "pragmatismo", com "respeito pela soberania", referindo-se a eventuais ingerências nas "políticas ou ideologias internas" de cada nação.

"Nos últimos dois anos, foram abertos os mercados de 30 novos produtos portugueses em 16 países latino-americanos e estão em negociação mais 39 para poderem entrar em mais 12 países. Isto tanto permite exportar cavalos para a Argentina, bovinos para o Brasil, ovos para a Colômbia, fruta para o Chile, produtos lácteos para o México e por aí fora, 'en hora buena, en hora buena')", afirmou.

HPG // ARA

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