Pedrógão Grande. Distrital do PS chumba nome de Valdemar Alves

O nome de Valdemar já não reunia consenso na concelhia, mas acabou por ser aprovado. Agora foi chumbado pela distrital, que poderá avocar o processo de candidatura em Pedrógão Grande, caso a nacional assim o entenda.

A comissão política distrital do PS chumbou, por maioria, o nome de Valdemar Alves como candidato à Câmara de Pedrógão Grande. Na reunião realizada ontem à noite, o nome do autarca recolheu apenas 22 votos favoráveis, contra 26 que o recusaram, além de 7 brancos.

No universo dos candidatos no distrito de Leiria este foi o único nome chumbado, num ato inédito. Perante a indicação assumida pelo partido de recandidatar todos os autarcas em funções, desde que fosse essa a vontade, o caso de Pedrógão parecia não levantar dúvidas. No início de março o nome de Valdemar Alves foi aprovado pela concelhia do partido, embora não por unanimidade. Nelson Fernandes, presidente da comissão política, disse ao DN que a decisão da distrital foi recebida em Pedrógão Grande com alguma surpresa, mas "é a democracia a funcionar". "Agora resta-nos aguardar pela decisão do secretariado nacional. Cá estaremos para acatar o que for decidido", acrescentou, convicto de que o atual presidente de Câmara poderá mesmo ser o candidato.

Se for assim, esta será a segunda vez que o autarca encabeça uma lista apoiada pelo PS, embora a recandidatura seja para um terceiro mandato. É que nas últimas eleições Valdemar trocou o PSD pelo PS.

Depois dos incêndios de junho de 2017 o autarca, de 72 anos, ex-inspetor da Polícia Judiciária, tem travado várias batalhas na Justiça. Em janeiro deste ano foi formalmente acusado pelo Ministério Público de 11 crimes, sete de homicídio por negligência e quatro de ofensa à integridade física por negligência. E foi já depois disso que a concelhia aprovou o seu nome para (re)candidato.

Entretanto, também no seio da Câmara nem tudo correu bem. Valdemar Alves acabaria por se incompatibilizar com a vice-presidente, Margarida Guedes, retirando-lhe os pelouros. E passou a ser secundado no executivo por Nelson Fernandes, o próprio presidente da concelhia do PS.

A surpresa da votação

Na reunião da comissão política distrital que aconteceu esta segunda-feira, por videoconferência, foram a votação os nomes de 15 candidatos, no universo dos 16 concelhos que integram o distrito de Leiria. O PS não apresenta candidato na Batalha, optando por apoiar "diretamente através da nacional", a candidatura de Raul Castro, num movimento independente, tal como referiu ao DN o presidente da distrital, Walter Chicharro. O autarca da Nazaré fez chegar ontem mesmo à estrutura nacional do partido a decisão de Leiria, sem esconder a surpresa por ter visto "vetado" o nome de Valdemar Alves. Quando confrontado com o facto de, no seio da concelhia, o nome ter sido aprovado por maioria e não por unanimidade (o que deixava antever algum desconforto em Pedrógão Grande), Walter desvaloriza o facto, e lembra que "isso acontece com todas as candidaturas, que têm sempre votos contra e votos em branco". De resto, isso mesmo terá acontecido com o seu próprio processo, na Nazaré.

A surpresa de Chicharro decorre apenas da decisão da distrital, uma vez que o facto de Valdemar ser candidato nunca o espantou: "há uma diretiva da nacional do PS que aponta para que todos os autarcas em funções que desejem ser candidatos às autárquicas, têm o apoio do partido". Mesmo que Valdemar Alves esteja a braços com a justiça e no seio do PS haja quem não veja com bons olhos esta ida a sufrágio. O DN tentou ouvi-lo, sem sucesso.

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