Pedro Calado: "Sou alvo de uma campanha eleitoral baixa... suja, negra, de difamação"

Pedro Calado abandonou nesta semana a vice-presidência do governo regional da Madeira para liderar a coligação PSD-CDS que vai tentar recuperar a Câmara do Funchal perdida em 2013. Candidato diz-se perseguido pelo PS.

Por que razão espera uma campanha eleitoral muito dura?
Aquilo que eu tenho sentido na pele, desde que tomámos as rédeas da governação, desde 2017 até agora, e sobretudo depois de ter anunciado que seria o candidato à Câmara do Funchal, aquilo que tenho assistido e visto por parte do principal partido da oposição, o PS aqui na Madeira, e dos partidos que fazem a sua coligação, são muitas tentativas de fazer uma campanha muito baixa... e suja. Inclusivamente usando meios próprios da Câmara do Funchal e do próprio partido, do PS, para fazer uma campanha negra... e usando o meu passado profissional que sempre foi ligado a entidades quer públicas quer privadas. Não tenho qualquer problema em assumir que trabalhei muitos anos no privado. É o que me fez ter a experiência profissional que tenho hoje. Sou um alvo, a campanha que esta oposição faz é uma campanha muito negra, de difamação, e sobretudo de tentativa de utilização de grupos empresariais ligados à minha pessoa, quando a única relação que tenho com esses grupos é uma relação de trabalho, profissional. Enquanto estive a desenvolver e a desempenhar as minhas funções governativas, quer na Câmara do Funchal quer no governo, sempre separei, como não podia deixar de ser, as águas, e sempre lutei por ter um tecido económico e empresarial forte, pujante, com dinamismo.

Diz acreditar que tem tudo para ganhar, recuperar a câmara que perderam em 2013. Porém, a diferença eleitoral para o PS cresceu de 2013 para 2017, o PSD afastou-se mais da liderança. O que é que o leva a ter, agora, tanta convicção?
Julgo que o que esteve na base, em 2013 e 2017, para perdermos a Câmara do Funchal foi essencialmente o facto de termos saído de uma disputa muito grande, interna, dentro do partido, do PSD. Recordo que as eleições internas que antecederam as autárquicas de 2013 foram muito competitivas, depois de quase 40 anos de domínio de um só homem dentro do PSD-Madeira, o Dr. Alberto João Jardim. Nós tivemos eleições com seis candidatos internos e isso dividiu muito as hostes. Aquilo que se fez depois de 2017 foi a união do partido, a junção das várias fações que existiam dentro do partido. Estou certo de que com o partido mais unido, com esta coligação que nós temos com o CDS, e também face à experiência dos últimos oito anos de governação do PS, na Câmara do Funchal, em que praticamente não houve investimento público - a cidade está parada, nunca esteve tão suja, tão abandonada, tão cheia de delinquentes, de drogados, a cidade do Funchal hoje é o que nunca foi -, temos todas as condições para mostrar à população que queremos pôr a cidade do Funchal como ela era até 2013. Uma cidade que ganhava prémios de excelência, prémios ambientais, prémios na área da cultura, do comércio, do investimento... Hoje tudo isso se perdeu.

Fala de uma cidade caótica, a definhar, estagnada, sem ordenamento e planeamento... tudo isso aconteceu em oito anos?
Aconteceu, essencialmente, nos últimos oito anos. Só para lhe dar um exemplo... qualquer investidor que venha para a cidade do Funchal e queira desenvolver um projeto de imobiliário tem à sua frente um enorme mar de dificuldades, de burocracias, de aspetos legais que não consegue ultrapassar. É raro o promotor que não enfrenta uma travessia no deserto superior a dois ou três anos só para fazer os licenciamentos de projetos imobiliários. E muitas vezes são capitais que vêm do estrangeiro, dos nossos emigrantes. Não estou só a falar de grandes investimentos, até particulares que pretendem ver construída uma moradia familiar, por exemplo, demoram nunca menos de dois anos a conseguir o licenciamento por parte da câmara. Por isso, levo comigo o João Rodrigues, que já foi vereador, e que é a pessoa que mais sabe de urbanismo no país inteiro.

E que questão é essa de a câmara "roubar ordenados aos bombeiros"?
Roubar ordenados... porque os bombeiros até agora eram bombeiros municipais, e algures entre 2013 e 2017 quis a vereação do PS, na altura, mudar o nome e a estrutura dos bombeiros e passar para sapadores. O que aconteceu é que tinham de ter um período de formação de um ano e após isso eram integrados com a nova categoria de sapadores, com progressão de vencimento e carreiras... saíam de um período de estágio e melhoravam as suas condições salariais. Mas, depois de terem feito esta passagem para sapadores, um grupo de 30 viu o seu estágio ilegalmente prolongado por mais um ano. O que fez que perdessem o vencimento desse ano de trabalho, perdessem a sua progressão em termos de carreira. Neste momento eles não sabem por que razão perderam um ano de vencimento nem quando é que vão ser ressarcidos. Aquilo a que assistimos é a uma câmara de fachada. São bons a fazer anúncios, mas depois nada se concretiza.

Tem uma larga experiência política, para si uma economia sustentada no turismo não começa a ser um problema?
A nossa economia, neste momento, já não está só sustentada no turismo. E quando se fala em turismo, as pessoas podem pensar que o turismo é só uma unidade hoteleira, mas não é... há o hotel, os rent-a-car, a restauração, o comércio local, o negócio das marítimo-turísticas, os agentes de viagens, as excursões... Há um conjunto de economia associada ao turismo. Neste momento, e também por força do desenvolvimento do Centro Internacional de Negócios, temos vindo a desenvolver o conceito de tecnologia e ciência que têm estado muito associados ao desenvolvimento e à formação de estudantes universitários. E hoje são muitas as empresas que estão ligadas à tecnologia e à ciência que trabalham a partir da Madeira para todo o mundo e que já representam entre 12% e 13% do nosso PIB, o que é muito significativo. Isto quer dizer que estamos aqui a fazer uma inversão do nosso setor económico que antigamente estava muito baseado no turismo, na construção civil e no investimento público. Hoje começa existir uma terceira área de serviços sobretudo ligados à tecnologia e à ciência, ao desenvolvimento de equipamento e software informático que é exportado a partir da Madeira para todo o mundo. Estamos a apostar em jovens, em estudantes que são formados aqui na Madeira. E há também uma nova área, uma tentativa de desenvolver a economia do mar, a aquacultura, todas as áreas ligadas ao setor marítimo, à construção naval. Temos um projeto muito grande de desenvolvimento naval, de tecnologia naval, a partir de estaleiros a serem construídos aqui na zona franca ou no Centro Internacional de Negócios.

Li que não tinha o apoio declarado de Alberto João Jardim, que vota no Funchal mas que aceitou ser mandatário do candidato do PSD em Câmara de Lobos...
Tenho excelentes relações com o Dr. Alberto João Jardim. A prova disso é que quando vim para o governo regional, em 2017, fiz uma aproximação a todo o nosso partido. Aliás, a pessoa que veio trabalhar comigo como chefe de gabinete foi o chefe de gabinete do Dr. Alberto João Jardim. Ele tem estado comigo variadíssimas vezes, trocamos opiniões, falamos, de vez em quando almoçamos ou jantamos juntos. Ele esteve aqui na abertura da sede de campanha, vai estar no próximo sábado no nosso comício de apresentação de todos os candidatos e dialogamos muitas vezes. A única diferença é que o nosso candidato em Câmara de Lobos convidou o Dr. Alberto João Jardim para ser seu mandatário.

Em entrevistas recentes, e ouvi também isso das candidatas socialistas na Madeira, notei a insistente referência a um clima de medo, de pressão, de ameaças, de achincalhamento da oposição e até de uma política arruaceira na Assembleia Regional por parte do PSD. Um regresso a tempos antigos...
Isso que está a referir é o comportamento que a oposição tem neste momento para com o governo regional. Isso é o que temos vindo a sentir. É uma política de achincalhamento, uma política de estar constantemente a deitar abaixo tudo aquilo que se faz e tudo aquilo que se diz. Isso, realmente, é a política da oposição, do PS e da HPP, aqui na Madeira. Tudo o que temos visto da oposição não é o apresentar de ideias, de projetos para o Funchal, mas o estar constantemente a sujar a imagem das pessoas e a deturpar tudo aquilo que se faz e diz numa tentativa de enfraquecimento do nome das pessoas e não de projetos. Aquilo que nós temos pedido sempre é para haver um debate em torno de ideias, de projetos, e nunca utilizar a imagem das pessoas nem do seu passado para debates e campanhas eleitorais. Coisa que a oposição todos os dias usa e faz.

Qual é o maior, o mais estimulante dos desafios... a política ou os ralis?
Caminhamos a passos largos para mais um título [Pedro Calado e Alexandre Camacho já venceram por quatro vezes o Rali da Madeira], mas o mais estimulante é sem dúvida a política, governar para as pessoas. Esse é desafio que me move. É o que eu tenho feito na Madeira desde 2005, é o que me dá muito gozo e prazer, ajudar as pessoas, estar próximo, ajudar a resolver os problemas, encontrar soluções. E é isso que estou apostado em fazer nos próximos anos à frente da Câmara do Funchal.

E essa paixão pelos automóveis?
Vai-se manter. É uma paixão que já tenho deste pequenino, já há 22 anos que faço este desporto automóvel aqui na região. É um desporto que vem muito de família, o meu pai, o meu irmão gémeo que o faz a nível nacional e já o fez nos Açores... É uma paixão que veio de família e que eu espero poder manter e ter capacidade de gerir nos meus tempos livres. É algo que me ajuda muito a limpar a cabeça e a estar em contacto com a população. Na Madeira é talvez o desporto que mais gente leva para a estrada, que mais aficionados tem, mesmo muito acima do futebol.

Candidatos à câmara do Funchal

Um ex-PS, um ex-PSD, um ex-CDS, um ex-PAN, um "independente", um ex-padre e a filha de um ex-líder polémico

Miguel Silva Gouveia
O atual presidente recandidata-se na qualidade de independente, liderando a coligação PS-BE-PAN-PRD-MPT em que "47% dos candidatos são mulheres". "Procuramos escolher os melhores e os melhores estão aqui connosco." E todos eles disponíveis para "bater a todas as portas, percorrer todas as veredas e becos e ouvir todas as pessoas".

Edgar Silva
O candidato da CDU garante que a câmara não respeita nem dignifica os trabalhadores. "O PS usou e abusou dos trabalhadores precários, dos estágios profissionais, explorou a torto e a direito os desempregados." O candidato tem colocado "mentirómetros" na cidade para assinalar as mentiras do PS e do PSD

Duarte Gouveia
O candidato da IL tem 20 anos de experiência política no PS. Saiu em 2015 e é membro da IL desde 2017. O professor na Universidade da Madeira quer acabar com a "ingovernabilidade e incapacidade de diálogo, já demonstradas nos últimos anos" por PS e PSD, apoiados pelos "extremos do espectro esquerda-direita".

Raquel Coelho
A atual deputada municipal do PTP, filha de José Manuel Coelho, polémico ex-dirigente do partido, aposta na "continuidade do trabalho que o partido tem vindo a fazer". A candidata diz que o Funchal tem sido governado por um "homem só" e avisa para o regresso da direita ao poder. "O município não pode estar sob essa ameaça", diz

Américo Dias
O candidato independente do PPM esteve no CDS desde 2011. Saiu neste ano. Nestas eleições, o PPM concorre apenas no Funchal apoiando em Porto Santo a candidatura de um grupo de cidadãos. "Sem nenhum representante [na AM e autarquia] conseguimos ajudar os funchalenses, agora imaginem se conseguirmos chegar à presidência.

Miguel Castro
O candidato do Chega acusa a atual gestão da autarquia de "incompetência" e garante: "Não somos extremistas". Promessa? "Não vamos ganhar tudo de uma vez. Vamos devagar, mas vamos no rumo certo." O partido quer dar "um abanão na estrutura de poder que reina na Madeira". Outro objetivo: "Esmagar BE e PCP." O candidato já foi militante do PSD.

Bruno Berenguer
A ambição é entrar na vereação. O enfermeiro, que já foi militante do PAN, diz que o JPP é um partido "mais terra a terra, mais próximo das pessoas". O candidato afirma que um dos principais desafios é a poupança de recursos. "É preciso revolucionar, dar ênfase à importância da água, da reutilização, da gestão e da poupança"

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