PCP diz que país está "mais pobre" e "menos democrático"

O PCP sublinhou hoje que, 10 meses depois da assinatura do acordo de ajuda externa, o país está "mais dependente", "menos democrático" e "mais pobre", apelando a uma mudança de políticas em que é fundamental a "luta" dos trabalhadores.

"Contam-se dez meses desde a assinatura do pacto de agressão pela 'troika' nacional -- PS, PSD e CDS -- que viria a entregar formalmente os comandos do país às forças ocupantes - FMI e União europeia. O país está mais dependente, menos democrático, a economia em recessão e os portugueses mais pobres", afirmou o deputado Miguel Tiago, numa intervenção na Assembleia da República durante uma interpelação ao Governo sobre o acordo de ajuda externa.

Para o PCP, nos últimos dez meses, CDS e PSD "intensificaram as políticas de e destruição e afundamento do país" e "tudo o que o povo português construiu com Abril está sob o mais agressivo ataque", apontando a seguir Miguel Tiago os cortes e alterações introduzidas no setor da Saúde, da Segurança Social, da Educação e da "liberdade cultural e artística".

O objetivo desta política do Governo é, considerou o deputado, "reforçar os monopólios, reconstruir os privilégios de um punhado de grandes grupos económicos à custa da vida e do trabalho dos portugueses".

O deputado realçou que, "enquanto se oferecem 12 mil milhões à banca -- são 40 anos de ensino superior gratuito para todos, da licenciatura ao doutoramento -- e há mais oito mil milhões para o BPN -- são mais de quatro anos de medicamentos gratuitos para todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde, enquanto isso, o Estado deixa por cobrar 2 mil e 200 milhões de euros em contrapartidas militares -- 12 anos de orçamento de Estado para a Culura e as Artes. No essencial, enquanto a uns são exigidos todos os esforços, a outros são entregues de bandeja os privilégios".

Perante o "agravamento da pobreza" e a degradação da "condição social" dos portugueses, o PCP lamenta que a 'troika' da ajuda externa e a "'troika doméstica'" tenham recentemente feito uma "avaliação positiva" da aplicação do programa de assistência financeira a Portugal.

"Por si só, essa avaliação demonstra bem o verdadeiro carácter e a verdadeira natureza de classe desse pacto de agressão e submissão", afirmou Miguel Tiago, apontando os números da recessão económica e do desemprego.

"Quem desta situação faça avaliação positiva assume que estes são os seus objetivos e que nunca teve outros. O Governo quer de facto empobrecer os portugueses e o país", acrescentou.

Para os comunistas, "a obsessão pelo controlo do défice orçamental continua a ser um elemento fundamental da política de desmantelamento do Estado e dos serviços públicos", sendo necessário contrariar este "regresso ao passado", que em breve se materializará ainda mais com a aprovação da nova legislação do trabalho proposta pelo Governo.

"É contra esse regresso ao passado, essa modernidade bafienta, que os trabalhadores portugueses erguerão já hoje os piquetes para a greve geral", destacou Miguel Tiago, sublinhando que a "situação nacional" demonstra que "quanto maior for a aceitação destas medidas, mais ávidos e ferozes serão os que delas beneficiam" e que "o fim da ocupação nacional, que resgate a soberania nacional e devolva o poder ao povo", começará "já amanhã, já hoje" a ser construído pelos trabalhadores portugueses "ao assumirem a sua luta".

Porque, vincou Miguel Tiago no final da sua intervenção, citando Brecht, nada é impossível de mudar".

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