Passos recusa "contaminação" à ANA e quer avançar com privatização da transportadora

O primeiro-ministro recusou hoje que possa existir "contaminação do resultado da TAP para a ANA", e afirmou que o Governo vai colocar de novo "em cima da mesa" a privatização da transportadora aérea "assim que for oportuno".

"As ofertas finais estão apresentadas e em estudo no que respeita à ANA. Portanto, o grau de contaminação do resultado da TAP para a ANA não existe. O que significa, portanto, que nós, assim que for oportuno não deixaremos de colocar novamente em cima da mesa a privatização da TAP", afirmou Passos Coelho no debate quinzenal no Parlamento.

Passos Coelho intervinha após um pedido de esclarecimento do líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães que o questionou se "com esta suspensão, com esta necessidade de reposicionamento no mercado, está o Governo disponível, face a circunstâncias muito difíceis da TAP, do ponto de vista económico-financeiro, para fazer face a esses constrangimentos, em diálogo social com os trabalhadores".

"Qual é o impacto, se é que há esse impacto, de esta decisão poderá ou não ter na privatização da ANA", tinha ainda questionado Nuno Magalhães.

Passos Coelho reconheceu que o desfecho não era o que o Governo gostava, mas afirmou que "não colocará em perigo o processo de privatizações".

"Em primeiro lugar, porque nós conseguimos nas operações que já decorreram e, é a expectativa que temos, na operação que vai decorrer com a ANA e que terá conclusão na próxima semana, nós ficaremos muito acima do valor que estava estipulado dos 5 mil milhões de euros para todo o processo de privatizações no nosso memorando de entendimento", afirmou.

O primeiro-ministro reconheceu que há "duas dificuldades objetivas": "a própria legislação europeia não permite que quem venha a comprar a TAP não sendo europeu possa deter mais do que 49% do capital da empresa, o que significa restringir fortíssimamente o tipo de candidatos e, em segundo lugar, que aqueles que mais interesse dentro do espaço europeu têm na TAP" sabem que o executivo não tem interesse nas suas propostas "porque não defendem o 'hub' de Lisboa e o interesse estratégico nacional".

"Não deixaremos de aguardar a melhor oportunidade para que aquele que tem condições de vir a um processo bem-sucedido o possa fazer no tempo que nós viermos a escolher",afirmou.

Passos Coelho argumentou que o Governo queria ter concluído com sucesso o processo de privatização da TAP porque a transportadora aérea "precisa de investimento e o Estado não está em condições de o promover, e mesmo que o Estado estivesse em condições de promover esse investimento, a regulação europeia não permitiria que isso acontecesse".

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