Passos: Peso das pensões impede descida de impostos

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho explicou ontem, no Fórum Empresarial do Algarve, porque razão "não existe espaço" para uma baixa de impostos.

A reforma das pensões, que ficou por resolver durante esta legislatura, é o principal obstáculo à descida da carga fiscal. Não foi de uma forma assim tão simples que Pedro Passos Coelho falou à audiência que hoje à noite o ouvia no 3.º Fórum Empresarial do Algarve. Mas foi esse o alcance das suas palavras, voltando a lançar o repto ao PS para que antes das próximas legislativas seja encontrado um acordo que permita resolver o problema da sustentabilidade das pensões.Com a sustentabilidade das pensões a pesar na despesa pública, Passos defende que ainda não chegou a hora para aliviar a carga fiscal que pesa sobre as empresas e as famílias. E reconhece que "não faz sentido manter uma sobrecarga fiscal sobre os portugueses porque não somos capazes de, em termos permanentes, endereçar os problemas que nos permitem ter sustentabilidade nas contas públicas". "Podem os governos, para ir ao encontro das exigências de natureza constitucional, dourar a pílula e apresentar meias-reformas. Mas se não existir uma possibilidade real de resolver de uma vez por todas estes problemas, eles continuarão a sobrepesar à economia e a todos os portugueses", avisou. E, destacou, "depois dos imensos sacrifícios que todos fizemos - nunca os portugueses foram chamados a fazer, em tão pouco tempo, um esforço tão grande - pô-lo em causa, apenas porque estamos a um ano de eleições porque não tivemos a coragem de pensar o futuro com a devida profundidade, quaisquer que sejam as limitações jurídico-constitucionais, é uma responsabilidade demasiado pesada". Por isso, lança novamente o repto ao PS, no sentido de ser alcançado um consenso sobre a reforma das pensões. "Uma vez que estamos agora numa altura em que o principal partido da oposição clarificou a sua gestão interna é de supor que teremos melhores condições para desenvolver esse diálogo e atingir um resultado concreto que nos permita, numa próxima legislatura resolver este problema [da sustentabilidade das pensões]", afirmou o primeiro ministro. "Porque", continuou, "não há dúvida nenhuma de que qualquer que seja o Governo este problema existe e tem de ser resolvido". E Passos Coelho diz qual o limite temporal para chegar a um acordo: "E se é sempre difícil fazê-lo depois das eleições, então que as diferenças, que devem ser assinaladas em período anterior às eleições, não nos impeçam de ver o principal problema que recairá sobre todos nós, seja no Governo ou na oposição".Mas o principal partido da oposição não foi o único a receber recados de Pedro Passos Coelho, na intervenção que encerrou o segundo dia de trabalhos do Fórum. Também o Tribunal Constitucional, e os sucessivos chumbos às propostas apresentadas pelo Executivo foram visados. Referindo que no Orçamento de Estado para o próximo ano, que será apresentado ao Parlamento até dia 15 de outubro, "estas preocupações têm já um peso que sabemos hoje ser sensível", Passos Coelho relembrou o porquê de esta reforma estar ainda por fazer: "razões de natureza jurídico-constitucional não permitiram ao longo destes anos que o ajustamento do sector público fosse tão longe como deveria ter ido". A terminar, Pedro Passos Coelho lançou um último apelo ao recém eleito líder do PS: "O caminho que fizemos até aqui só merecerá o respeito de todos os portugueses se aqueles que têm mais responsabilidades no plano político, social e empresarial souberem sempre lutar pelos de médio e longo prazo à frente dos de curto prazo".

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