Passos não diz quantos postos de trabalho serão criados com descida da TSU

Porta-voz do BE perguntou ao primeiro-ministro quantos empregos vai criar com a descida da taxa social única em dois pontos percentuais, mas Passos preferiu sublinhar que o país necessita de atrair investimento.

Catarina Martins perguntou a Passos Coelho quantos postos de trabalho vai criar com a descida da taxa social única (TSU) em dois pontos percentuais, mas o primeiro-ministro preferiu sublinhar que o país necessita de continuar atrair a investimento sem avançar com qualquer número.

Foi a porta-voz do Bloco de Esquerda que, no debate quinzenal desta sexta-feira no Parlamento, acabou por dar a resposta, ao afirmar que descer a TSU, como pretende o Governo, significará "a criação de 320 mil postos de trabalho". E a deputada desafiou de novo o primeiro-ministro a dizer que vai criar esses 320 mil empregos, sem qualquer resposta concreta.

"O problema que temos da atractividade do investimento deve ser tratado do ponto de vista contributivo", defendeu Passos. E o chefe do Governo apontou que o desagravamento da TSU para as empresas significará "melhor segurança no trabalho" e também "combate à precariedade".

Antes, Catarina Martins tinha insistido nas críticas da oposição ao programa de estabilidade e o plano nacional de reformas, notando que há dois pesos e duas medidas para trabalhadores e empresas. A bloquista notou que a prometida descida da sobretaxa do IRS, ou que "é paga por quem trabalha, desce 25%", enquanto que a descida prometida para as "grandes empresas do setor da energia é de 50%". E atirou a Passos Coelho: "Para si, para o seu governo, privilégio é salário?"

Jerónimo de Sousa tinha alinhado pela mesma ideia de Catarina Martins, falando mesmo nos "dois pesos, duas medidas: em relação ao IRC: baixar; baixar; em relação a quem trabalha e trabalhou, medidas punitivas", como caracterizou o líder comunista.

O primeiro-ministro defendeu que o governo atacou "sectores protegidos da economia", incluindo os da "energia". E rejeitou qualquer benefício particular para as empresas: "Olhe para a evidência: as medidas extraordinárias são removidas ao mesmo tempo para todos, ao mesmo ritmo."

Já na parte final da sua intervenção, a deputada do BE retomou uma reportagem da TVI sobre as urgências hospitalares, que o líder parlamentar socialista já tinha referido. A Ferro Rodrigues, Passos Coelho recusou-se a comentar a reportagem e as palavras do secretário de Estado da Saúde, que tinha afirmado que via as "pessoas bem instaladas". Perante a intervenção de Catarina Martins, o primeiro-ministro já não tinha tempo. E limitou-se a sorrir enquanto a bloquista mostrava fotos da reportagem, com macas amontoadas nos corredores dos hospitais, e perguntava se Passos também achava que aquelas pessoas estavam bem instaladas.

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