Passos admite "reflexos" da venda do Novo Banco na CGD

Primeiro-ministro reconhece que eventuais perdas na operação terão de ser custeadas pelo sistema financeiro. Catarina Martins defende que "serão os contribuintes" a pagar o "buraco" do BES.

O primeiro-ministro reiterou esta sexta-feira que eventuais perdas na operação de venda do Novo Banco serão suportadas pelo sistema financeiro, do qual faz parte a Caixa Geral de Depósitos (CGD), admitindo por essa via "reflexos indiretos" no acionista Estado.

"Se perdas vierem a existir terão de ser suportadas pelo sistema financeiro. O Estado detém um banco, o maior banco português, se essas perdas vierem a ocorrer também se repercutirão na CGD", afirmou Pedro Coelho, em resposta à coordenador do BE, Catarina Martins.

O líder do Executivo frisou que, já anteriormente, a CGD "acomodou perdas" em função de decisões que tomou no passado e que esses prejuízos "têm com certeza reflexos indiretos no acionista Estado".

Recusando "especular" sobre o resultado da operação, Passos explicou que quando se efetivar será feita uma comparação entre o valor de capitalização assumido pelo Fundo e o resultado da alienação do Novo Banco.

"Se existir uma divergência negativa, não poderá deixar de ser colmatada pelo Fundo de resolução, isto é pelo sistema bancário", do qual faz parte a CGD.

O primeiro-ministro defendeu que o processo do BES "não é comparável a qualquer outro ocorrido na banca portuguesa" e que o "facto de o Estado não ter assumido a capitalização do Novo Banco implica que não há nenhuma consequência direta para o contribuinte".

Catarina Martins respondeu que "jogos de semântica não ilibam as responsabilidades", concluindo com a ideia de que "serão os contribuintes a pagar o buraco dos BES".

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