PAN vai às próximas legislativas "para ser governo"

Eleita porta-voz do partido, Inês Sousa Real fechou o VIII congresso a garantir que o PAN "veio para ficar". E deixou o caderno de encargos para o OE 2022.

A nova líder do PAN, Inês Sousa Real, fechou hoje o VIII congresso a sublinhar que o partido "veio para ficar, veio para crescer" e se o próximo desafio são as eleições autárquicas deste ano, o PAN apresenta-se às próximas eleições legislativas "obviamente, para ser governo".

E quer fazê-lo como um partido de causas. "O PAN sai deste congresso não só como o partido ambientalista, animalista, e socialmente responsável e justo que já era, mas como um partido assumidamente ecocêntrico. Contrariamente às demais forças políticas, não orientamos a nossa atuação a partir do nosso ego nem das nossas ambições pessoais para tomar as decisões políticas necessárias ao bem-estar do ser humano e demais espécies com as quais coabitam, afirmou a nova porta-voz aos congressistas.

A lista única à Comissão Política Nacional do partido obteve, na manhã deste domingo, 109 votos a favor, 14 brancos e dois nulos. Inês Sousa Real, como primeira subscritora do documento, foi eleita porta-voz. Em dia de aniversário: a deputada faz hoje 41 anos.

No discurso de encerramento, a nova líder avisou que "não há desafios nem ameaças que parem o PAN". Destacando que é apenas a "quinta mulher em 47 anos de democracia portuguesa" a assumir a liderança de um partido, Inês Sousa Real defendeu que a "desigualdade de género está longe de ser assunto arrumado e na realidade continua a ser uma das maiores formas de discriminação dos dias de hoje", um combate a que o partido "não voltará as costas".

Referindo que "algumas vozes se inquietam" por o PAN não ser de esquerda ou direita (uma dicotomia "ultrapassada e redutora"), a deputada deixou críticas aos dois lados do espetro político. "A esquerda, para além de apregoar ao vento preocupações ambientais, continua a viabilizar projetos como o aeroporto do Montijo; diaboliza a propriedade privada e esquece-se de que os senhorios são parte fundamental para resolver os problemas de habitação do nosso país", apontou. Já a direita "defende uma economia voraz que destrói o mundo rural e natural e esquece-se que sem ele não há condições para a vida humana na terra".

No imediato, Inês Sousa Real identificou dois momentos fundamentais para o PAN - as eleições autárquicas e o Orçamento do Estado (OE) para 2022. E deixou uma "mensagem clara para o governo de António Costa": "Queremos mais. Exigimos mais".

O caderno de encargos fica, desde já traçado. O PAN quer um OE "ambientalista, animalista e promotor da igualdade de direitos e oportunidades". E isso passa por "proteger os oceanos, as florestas, os animais, reduzir o número de pessoas em risco e em situação de pobreza, o número de pessoas sem acesso à saúde e ao trabalho, reaproximar o ordenado mínimo da média europeia e trabalhar para um melhor nivelamento do salário médio".

Mas também "mais e melhores investimentos na saúde, nos profissionais da educação, das forças de segurança, dos vigilantes da natureza e tantos outros profissionais-chave".

E, sobretudo, diz Inês Sousa Real, o próximo Orçamento do Estado "tem de colocar a tónica no desafio das nossas vidas: o combate contra a emergência climática".

"Não descansaremos, não baixaremos os braços, demore os anos que demorar, até chegar à altura da história política em que possamos dizer: este Orçamento do Estado é um Orçamento PAN, este Governo é um Governo PAN", prometeu a nova líder.

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