Pagar antes ao FMI pode significar pagar tudo

Portugal vai acompanhar a Irlanda no pedido de pagamento antecipado do empréstimo do FMI. Mas com cautelas, avisou a ministra das Finanças. Há uma cláusula que obriga a esses cuidados.

Com a discussão marcada para a próxima semana na reunião do Eurogrupo, Maria Luís Albuquerque antecipou cautelas da posição portuguesa. Interpelada por jovens sociais-democratas, numa 'aula' da Universidade de Verão do PSD, este sábado de manhã, sobre essa possibilidade, a ministra das Finanças recordou que há uma "uma cláusula chamada 'par e passo'", inscrita nos contratos assinados com os credores da 'troika', que se Portugal "reembolsar os empréstimos do FMI, antes das maturidades, os credores europeus têm direito a exigir o mesmo".

"Se eles quiserem fazer valer esse direito, nós em vez de devolvermos os 25 mil milhões de euros ao FMI, temos de devolver os quase 76" mil milhões, o total do resgate financeiro, justificou Maria Luís.

O que está em causa neste momento é saber os credores europeus abdicam "desse direito" e que se reembolse "primeiro o FMI". A Irlanda avançou com este pedido. A ministra admitiu que Dublin "tem mais vantagens por circunstâncias específicas do que nós", mas acrescentou que "tanto" Portugal como a Irlanda dependem "da autorização da Europa".

Outra cautela apontada é o preço do dinheiro a que o país se poderá financiar. "Não basta dizer que temos de ir ao mercado a taxas mais baixas", avançou Maria Luís. Para notar depois que "é preciso ser capaz de ir buscar [ao mercado] a essa taxa mais baixa", quando se for "buscar muito" dinheiro, os tais 25 mil milhões de euros do empréstimo do FMI. "Não sei se seria possível, seguramente não a este preço", antecipou.

Uma possibilidade é não reembolsar "logo os 25 mil milhões", podendo Portugal optar por começar a pagar as primeiras tranches que "eram as mais caras".

"Estaremos claramente ao lado dos irlandeses a apoiar esta iniciativa", rematou.

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