"Pactos de regime" continuam a ser desejados

A reedição do Governo do Bloco Central parece neste momento ser tarefa impossível, mas são muitas as vozes que continuam a defender "pactos de regime" ou "amplos compromissos" políticos, como os antigos ministros Rui Machete e Silva Peneda.

Há 30 anos, Rui Machete foi um dos ministros do Governo do Bloco Central, que durante dois anos e sob a liderança do socialista Mário Soares, juntou PS e PSD numa fórmula de executivo até então nunca experimentada e que não voltou a ser repetida até aos dias de hoje.

Contactado pela Lusa a propósito da passagem do trigésimo aniversário da assinatura do acordo para o Governo de coligação pós-eleitoral PS/PSD, Rui Machete reconheceu que atualmente a dificuldade de juntar socialistas e sociais-democratas num executivo "é muito maior".

"Já seria bastante bom um pacto de regime", comentou, considerando que seria "mais fácil os partidos do arco da governação fazerem um pacto de regime, que tem um âmbito material bastante menor, do que uma coligação a dois ou três partidos".

Aliás, para o social-democrata, dada a situação do país, um pacto de regime em áreas como a política externa, defesa ou política orçamental, deveria ser "uma condição quase necessária" em política.

Até porque, acrescentou, os compromissos que Portugal tem de cumprir no âmbito do memorando de entendimento que foi assinado obriga os partidos a elaborarem programas de Governo com muitas semelhanças.

Relativamente à situação atual do país em comparação com a vivida entre 1983 e 1985, altura em que o IX Governo Constitucional, o Governo do Bloco Central, esteve em funções, Rui Machete aponta como grande diferença os instrumentos à disposição do executivo para combater a crise.

"A situação também era grave e difícil, mas tínhamos instrumentos mais indolores como a desvalorização cambial, que era uma forma mais silenciosa de fazer sacrifícios e mais eficaz", sustentou.

Antigo ministro do Governo de Cavaco Silva e atualmente presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda é mais taxativo ao dizer que "neste momento não há condições para a existência de um Governo do Bloco Central".

Sobre a possibilidade de a fórmula voltar a ser repetida, Silva Peneda sustentou que não pode fazer "futurologia", considerando que tudo depende do resultado das eleições.

Contudo, o economista é um defensor de "compromissos" entre os diferentes partidos, sublinhando que "um amplo compromisso é sempre bom para o país".

E, acrescentou, para isso nem são necessárias coligações entre os partidos.

"Mas, o compromisso quanto maior for, melhor para o país", insistiu.

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