"Orientação do Governo contraria o que foi prometido"

Pedro Silva Pereira, ex-ministro socialista, considera que estão já de rastos as duas principais promessas do Governo de não aumentar impostos e de promover a competitividade através do desagravamento drástico da Taxa Social Única (TSU).

As posições de Pedro Silva Pereira, considerado o "braço direito" dos executivos liderados por José Sócrates, foram transmitidas à agência Lusa, depois de questionado sobre que balanço faz dos primeiros cem dias do Governo de coligação PSD/CDS, que se cumprem quarta-feira.

Para o ex-ministro da Presidência, "a marca mais importante destes cem dias é uma orientação do Governo que contraria tudo aquilo que foi prometido pelo PSD na última campanha eleitoral".

"A campanha eleitoral de Pedro Passos Coelho, que lidera o Governo, foi caracterizada por duas ideias fundamentais: Não mais austeridade sobre as pessoas, sendo a opção cortar nas gorduras do Estado; e promover a competitividade da economia através da redução da Taxa Social Única (TSU)", apontou o ex-ministro da Presidência.

No entanto, na perspectiva de Pedro Silva Pereira, essas "duas ideias forças da campanha eleitoral do PSD estão hoje de rastos ao fim de pouco mais três meses de Governo".

"O que o Governo está a fazer é aumentar a austeridade sobre as pessoas, com mais impostos, corte do 13.º mês, aumento dos transportes públicos e do IVA sobre a energia. Por outro lado, o Governo teve de reconhecer que tinha estudado mal a medida da redução da TSU e hoje reconhece que ela é não só incomportável do ponto de vista de implicações na carga fiscal, mas é sobretudo ineficaz do ponto de vista da promoção da competitividade e das nossas exportações", observou o actual deputado do PS.

Nos primeiros cem dias de acção do executivo de coligação PSD/CDS, Pedro Silva Pereira acredita que há "uma obsessão do Governo em ir para lá do memorando da troika - e esta obsessão corre o sério risco de ser totalmente desadequada face às actuais circunstâncias da economia internacional, porque cria condições para o agravamento da recessão na pior altura".

"Entendo ainda que há uma desorientação do Governo num domínio crítico, referente à política europeia e a resposta à crise. Verifica-se uma descoordenação entre o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] e o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros [Paulo Portas], há contradições sobre o papel dos 'eurobonds' numa resposta europeia à crise das dívida soberanas e assistiu-se a uma 'gaffe' do primeiro-ministro em recente entrevista à RTP ao admitir de forma totalmente irreflectida uma colagem à Grécia e um segundo programa de ajuda externa", considerou.

Em suma, para Pedro Silva Pereira, estes episódios revelam que o Governo "tem dificuldade em encontrar o registo certo para se posicionar em relação à resposta da Europa à crise internacional, que também afecta Portugal".

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