Opinião de Paula Sá: Por cada dia de chuva, dois de sol...

As circunstâncias são o que são e o Presidente também é vítima delas. Cavaco Silva prometeu uma "magistratura ativa" neste segundo mandato.

Mas é provável que a ação mais intensa se tenha consumido neste primeiro ano dos últimos cinco que estará em Belém. Em 2011 ajudou a dar um empurrão ao Governo socialista com um arrasador discurso, no qual falou de um "País insustentável". Sócrates caiu, mas ainda foi obrigado a negociar o pedido de resgate do País. Belém ajudou PS, PSD e CDS a subscreverem os ditames da troika.

E se vivemos desde então sob a austeridade imposta, e o governo de coligação sem margem de manobra na condução das políticas, também o Presidente tem pela frente pelo menos dois anos espartilhados pelo pacote de ajuda. Esse pacote que nos obriga a ultrapassar o limiar dos "sacrifícios" aceitáveis. Passos quis ir, ainda assim, "além da troika" no OE 2012, com cortes dos subsídios da função pública e dos pensionistas. Cavaco demarcou-se publicamente da "iniquidade fiscal". Acabou por o promulgar, sem mais.

Vêm aí as reformas, em particular a laboral, vem aí mais desemprego e ainda mais recessão. De Belém talvez voltem a soprar ventos contra alguns dos caminhos traçados pelo Governo para a recuperação económica, mas é sobretudo no campo da moderação da tensão social, e menos da política, que se joga o papel do Presidente em 2012.

Perante a miríade de maldades que nos vão cair em cima, a Cavaco resta-lhe, mais que não seja, tentar levantar a moral dos portugueses neste ano horribilis. Há uma mensagem que o pode inspirar, a de um anúncio de uma marca conhecida de refrigerantes (penalizada pelos 23% do IVA), sobre as coisas boas que o País tem e não há crise que roube, troika que leve ou que credores transformem em juros: por cada dia de chuva, ainda há dois de sol...

Mais Notícias

Outras Notícias GMG