"O PS tem que provar que é contra a austeridade"

Marisa Matias sugeriu a Paulo Portas que pusesse "o relógio a zero" para perceber que "em três anos de Troika a vida dos portugueses atrasou, em média, 13 anos".

O coordenador nacional do Bloco de Esquerda (BE), João Semedo, desafiou António José Seguro a "dar as prova dos nove" em como "é contra a austeridade". No comicio esta noite do BE, em Faro, Semedo sugeriu que se o PS, de Seguro e Francisco Assis, "estão contra a austeridade, como têm dito, então o que têm de fazer é assumir o compromisso de revogar o seu voto no Tratado Orçamental e votar contra". O coordenador do BE lembrou que "hoje a austeridade chama-se Troika, mas amanhã chama-se Tratado Orçamental, com a continuação da redução das despesas públicas, na saúde, na educação, na administração pública".

A propósito da anunciada presença de José Sócrates na campanha do PS, João Semedo ironizou: "nos últimos anos houve uma austeridade rosa e uma austeridade laranja. Qual é a diferença? É que uma dói e outra mói. Qual é a que mói e qual é a que dói? Tanto faz. Doem e moem as duas. A prova dos nove que o PS tem que dar é que vão deixar de ter uma austeridade rosa para contrapor à austeridade laranja".

Dando sinal que não acredita que isso aconteça, o deputado bloquista fez mesmo um apelo aos votos da esquerda, contrariando o voto útil nos socialistas. "O voto em António José Seguro e Francisco Assis é para a esquerda uma ilusão hoje. Mas, amanhã será uma desilusão. Apelamos a toda a esquerda que vote no BE, que repudia a austeridade, para mostrar à Europa que em Portugal há um povo capaz de resistir".

João Semedo criticou ainda o "foguetório e champanhe (porque é de 'gente fina' que se trata) que o Governo prevê para celebrar a saída da Troika. «Mas o que festejam? O que conseguiram em três anos? Conseguiram salvar a banca, pois não houve nenhuma falência; salvar as grandes empresas e os grandes negócios. Mas o que Troika cá deixa foi um país que fizeram regressar ao século passado, na queda de emprego, um país pobre com a economia de rastos". Depois do "foguetório e bebido o champanhe", sublinhou, "no dia seguinte há um pais pior". O IRS "que tributa o trabalho, aumentou 35% nestes anos, se somarmos o corte nos salários e nas pensões, o aumento dos preços, ficamos com a ideia de quanto o Governo e a Troika empobreceu este país", acrescentou.

Marisa Matias, pegou a deixa de João Semedo, e sugeriu que Paulo Portas "que fizesse a prova do relógio (que inaugurou para assinalar a saída a Troika) e o acertasse a zero» para perceber que «em três anos de Troika Portugal recuou 14 anos no PIB, recuou 17 anos no emprego e tem uma dívida como nunca teve em democracia". Este, destacou a cabeça de lista do BE ao Parlamento Europeu "é o relógio das nossas vidas e se o relógio de Paulo Portas estivesse certo, diria que perdemos, em média 15 anos das nossas vidas".

Marisa afirmou que "se a Troika vai embora, queremos os nossos empregos de volta, os salários e pensões de volta, a escola pública, o serviço se saúde... se a Troika for embora, queremos as nossas vidas de volta".

A eurodeputada assinalou ainda uma "mentira descarada" do Governo: «em reação à descida do PIB (ontem noticiada pelo INE), o primeiro-ministro disse que a retração era devido a 45 dias de paragem em Sines e a menos produção na Auto-Europa. Ora, um comunicado da Auto-Europa veio dizer que, neste periodo, a fábrica até produziu mais 20 mil carros... até os alemães desmentem o Governo».

Marisa Matias acredita que "a nossa vida não é o debate entre os que mentem todos os dias e aqueles que dizem que é uma questão de dose. Não é de dose que se trata, é da receita. Temos é de mudar a receita". Apesar "de meses e meses a falar no 'milagre económico', continuamos no caminho do empobrecimento", assinalou a eurodeputada, "e a única retoma que há é a recessão a retomar. Uma retoma que não se sente nos nossos bolsos".

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