Momento quente na AR. Costa irrita-se com deputado: "O sr. não me conhece de parte nenhuma"

Durante o debate esta tarde no Parlamento com o primeiro-ministro, António Costa não gostou do que ouviu do deputado do PSD André Coelho Lima e a discussão subiu de tom.

O debate com o primeiro-ministro, esta tarde no Parlamento, teve um momento mais quente quando António Costa se irritou com o deputado social-democrata André Coelho Lima.

Este último, na sua intervenção, acusara o chefe do governo de ter feito um verdadeiro road show durante a campanha autárquica com o PRR e questionou-o se tal não "desqualifica a função" de primeiro-ministro, bem como a função do próprio plano.

"Não considera que, com esta atuação de um autêntico circunforâneo [pessoa que vagueia de feira em feira], desqualifica a sua função e o próprio PRR? (...) Com este bodo aos eleitores, esta tentativa de viciar os votos do eleitor, o senhor primeiro-ministro desprestigiou a democracia e instituições democráticas", acusou o deputado.

Costa reagiu de forma quente: "O que desqualifica a democracia é um deputado que se senta na primeira fila da sua bancada ter um tal nível de ignorância sobre o que é o Plano de Recuperação e Resiliência e o que são os compromissos já inscritos na lei sobre a transferência de competências dos municípios", começou por dizer.

"O senhor não me conhece de parte nenhuma e portanto eu não lhe autorizo a fazer qualquer juízo moral sobre o meu comportamento, como eu não faço sobre o seu", acrescentou.

Costa prosseguiu com a sua justificação de ter levado o PRR para a campanha autárquica, mas no mesmo tom: "Há uma coisa que o senhor tinha obrigação de saber antes de abrir a boca aqui na Assembleia da República. Em abril entra em vigor uma lei aprovada nesta Assembleia da República sobre a transferência de competências para os municípios, e conforme está contratualizado com a AMM e está inscrito [nessa] lei, essa transferência de competências é acompanhada das respetivas verbas, os mil milhões de euros. Não é uma promessa, é o que está na lei".

Perante as trocas de apartes e aplausos e apupos entre bancadas do PS e do PSD, o vice-presidente da Assembleia da República José Manuel Pureza, que presidia aos trabalhos, apelou a alguma calma.

"O debate pode ser vivo, deve ser vivo, mas devemos saber-nos ouvir", apelou, antes de dar a palavra ao deputado do PSD que se seguia, Paulo Leitão.

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