Moedas quer independentes, CDS liderar as juntas onde teve força em 2017

PSD e CDS estão a negociar as listas de candidatos aos órgãos autárquicos da autarquia. Moedas aceitou desafio de Rio com a condição de ter com ele figuras da sociedade civil.

PSD e CDS estão a discutir a todo o vapor as listas para os órgãos autárquicos em Lisboa e ainda ontem estiveram reunidas as equipas negociais para fechar o acordo para os lugares à câmara e assembleia municipal e começar a analisar as candidaturas para as 24 juntas de freguesia da capital. O DN sabe que uma das condições que Carlos Moedas colocou a Rui Rio quando aceitou o desafio para ser cabeça de lista à câmara foi o de integrar na sua lista independentes, o que também foi aceite pelo CDS.

A ideia de Moedas é abrir a sua candidatura à sociedade civil e mostrar que apesar de liderar uma lista partidária, no caso de coligação, quer levar com ele para o municípios figuras com credenciais fora dos partidos.

Pelo lado dos centristas - que têm sublinhado o facto de terem aberto mão em nome da coligação da liderança da lista à Câmara Municipal de Lisboa, visto que ficaram muito à frente do PSD nas autárquicas de 2017 - há a expectativa de liderar as listas às juntas de freguesia onde o partido teve uma votação forte nessas eleições. Entre as quais, Avenidas Novas, Parque das Nações e Lumiar.

O facto é que entre as 24 freguesias de Lisboa, o CDS ficou à frente do PSD (e logo a seguir ao PS) em cinco delas, as três acima mencionadas mais Campolide e Misericórdia. O DN sabe que os sociais-democratas têm abertura para "ceder" aos centristas nesta negociação, até porque há vontade da direção de Rui Rio para a desmontar a influência de algumas figuras do partido junto nomeadamente da junta de freguesia das Avenidas Novas, onde o chamado "clã" Gonçalves - Daniel (que liderou a junta) e Rodrigo, o filho - tem tido forte influência.

Rio ainda se aproximou de Rodrigo Gonçalves, a quem em 2018 chamou para a sede nacional para gerir as redes sociais do PSD, mas acabou por o ver dar o apoio a Luís Montenegro quando disputou a liderança do partido, no final de 2019.

Mas voltando às negociações entre PSD e CDS - lideradas por Paulo Ribeiro e João Montenegro, secretário-geral adjunto do PSD e por Filipe Anacoreta Correia, presidente do Conselho Nacional do CDS e Francisco Tavares, secretário-geral centrista -, o acordo para as listas à câmara e assembleia municipal estão em fase muito adiantada e devem passar ao nível seguinte de ratificação pelos respetivos líderes, Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos.

Fontes centristas garantiram ao DN que ainda não foram discutidos nomes, mas os lugares, que têm de respeitar as quotas entre homens e mulheres, pelo que ainda não é percetível se o CDS terá direito ao segundo ou terceiro lugar na lista de Carlos Moedas.

"A negociação tem de decorrer de forma a que o CDS consiga explicar internamente que sai de uma situação ganhadora (o segundo lugar em Lisboa nas autárquicas de 2017) com ganhos de causa, e o PSD que se mantém como um partido forte na capital", afirma uma fonte social-democrata.

As estruturas locais, garante outra fonte centrista, têm sido informadas das "negociações que têm um caráter nacional", já que se trata da mais importante autarquia do país.

"A candidatura a Lisboa tem um perfil nacional. Uma grande vitória em Lisboa será uma grande vitória para Rui Rio e para Francisco Rodrigues dos Santos", frisa a mesma fonte.

Os dois partidos têm a expectativa de conseguir conquistar, com a candidatura mais transversal de Carlos Moedas, a câmara a Fernando Medina, que em 2017 não conseguiu uma maioria absoluta e se ficou pelos 42%.

Nestas eleições, Assunção Cristas, então líder do CDS, aventurou-se na candidatura à Câmara de Lisboa e conseguiu ficar em segundo lugar, com 20,59% dos votos, tendo conseguido quatro vereadores contra os 11,22% da então candidata do PSD Teresa Leal Coelho, que só conseguiu dois vereadores.

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