Moedas quer demissão de Medina por alegado envio de dados à Rússia

Em causa está o alegado envio, por parte da Câmara de Lisboa, de dados de três pessoas que que participaram numa manifestação, em janeiro, junto à embaixada russa a pedir a libertação de Alexey Navalny.

O candidato do PSD à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, disse esta quarta-feira que o presidente Fernando Medina terá de se demitir, caso se confirme que a autarquia enviou para a Rússia dados de três pessoas que participaram numa manifestação anti-Kremlin.

"A confirmar-se, Fernando Medina só terá uma saída: a demissão", afirmou Carlos Moedas, numa publicação na rede social Twitter.

De acordo com o Expresso e o Observador, a Câmara de Lisboa fez chegar às autoridades russas os nomes, moradas e contactos de três manifestantes russos que, em janeiro, participaram num protesto, em frente à embaixada russa em Lisboa, pela libertação de Alexey Navalny, opositor daquele Governo.

Na mesma publicação, o candidato do PSD defendeu que Lisboa tem que ser "uma cidade de liberdade, onde se celebra e defende a democracia".

Por sua vez, o presidente da distrital de Lisboa do PSD, Ângelo Pereira, afirmou que Fernando Medina "pode ter assinado uma sentença" aos cidadãos em causa. "Foi uma traição da Câmara Municipal de Lisboa e demonstra uma inaptidão básica de Fernando Medina. Lisboa e Portugal Merecem mais. Os portugueses e os lisboetas merecem melhor qualidade nos seus protagonistas", considerou, numa publicação no Facebook.

CDS questiona Medina

O CDS já questionou o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, sobre o alegado envio de dados pessoais de três manifestantes à Rússia, classificando a situação como "inaceitável".

Numa pergunta a Fernando Medina, endereçada ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o deputado do CDS Telmo Correia pediu explicações sobre o envio dos dados para entidades da Federação Russa.

"Que medidas foram tomadas pela Câmara Municipal de Lisboa, no sentido de minorar os potenciais prejuízos para os cidadãos envolvidos e, bem assim, quais os procedimentos adotados no sentido de averiguar responsabilidades e assegurar que não se torna a verificar nenhuma situação semelhante?", questionou o partido.

O CDS quer ainda que a Câmara de Lisboa responda se esta é "uma situação isolada". Para o CDS, esta situação "afigura-se inaceitável e assume particular gravidade, tanto mais quanto é sabido que a Federação Russa tem violado os direitos humanos, nomeadamente, perseguindo os opositores daqueles que se encontram no poder daquele Estado".

IL quer que Medina assuma responsabilidades

A Iniciativa Liberal (IL) exigiu que Fernando Medina assuma responsabilidades políticas. "Perante a gravidade destes factos e admitindo, de momento, que estamos perante apenas uma situação de profunda incompetência e não de uma ação deliberada que teria ainda outro nível de gravidade, a Iniciativa Liberal exige que Fernando Medina e a sua equipa assumam as suas responsabilidades políticas", apontou, em comunicado, o partido.

A IL quer ainda que seja tornado público o resultado da averiguação interna feita pela Câmara Municipal de Lisboa e que o Estado garanta a segurança dos cidadãos em causa e das respetivas famílias.

Por outro lado, o partido quer ver esclarecido se é "prática normal a transmissão deste tipo de informações a outros Estados e, em caso afirmativo, quantas vezes e em que circunstâncias aconteceu", bem como se o Ministério dos Negócios Estrangeiros português tinha conhecimento deste caso.

"Com este ato de incúria grosseira, a Câmara Municipal de Lisboa destruiu qualquer confiança que pudesse existir na gestão do seu executivo e pôs em causa a segurança dos três cidadãos, dois deles com nacionalidade portuguesa, bem como das suas respetivas famílias", vincou.

BE vai pedir explicações a Medina

A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, anunciou que vai pedir explicações a Fernando Medina.

Através da rede social Twitter, a bloquista escreveu: "O Bloco vai pedir esclarecimentos a Medina sobre a partilha de dados de quem organizou uma manifestação a exigir a libertação de Navalny". "A confirmar-se, é uma inadmissível violação da lei", considerou Beatriz Gomes Dias, a concluir o seu texto.

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