Moedas e mais câmaras dão a Rio o fôlego para enfrentar opositores

Vitória de Carlos Moedas na capital e a conquista de municípios como Coimbra, Portalegre e Funchal cumprem os objetivos do líder do PSD para melhorar substantivamente o resultado que o PSD teve nas autárquicas de 2017. E que era condição para se recandidatar à liderança. O líder do CDS, esse, cantou vitória antes de fecharem os resultados.

As projeções de voto nas televisões, todas a apontarem Carlos Moedas taco a taco com Fernando Medina, o socialista recandidato à presidência do município, num claro empate técnico, deixaram em euforia os apoiantes do candidato Novos Tempos. E deram o primeiro sinal de que a noite eleitoral se calhar não ia correr mal a Rui Rio, como desejavam ou profetizavam os opositores internos. Contra todas as expectativas, Moedas ganhou mesmo.

Marques Mendes, na SIC, dissecou os resultados de Lisboa, ainda antes de se conhecer o apuramento final: "Eu acho que Fernando Medina sai mal, mesmo que ganhe as eleições. Sai mal e fragilizado. Ele herdou uma câmara com maioria absoluta, perdeu a maioria absoluta com 42%. Agora, mesmo que ganhe - estaremos para ver -, ele tem um resultado muitíssimo aquém daquele que teve. É um claro perdedor do ponto de vista político."

A vitória inesperada na principal autarquia do país, a que se somam mais câmaras emblemáticas deverão dar a Rio o lastro de que precisava para avançar em janeiro com nova recandidatura à liderança, embora não o tenha assumido ontem. E mesmo que Paulo Rangel não se intimide pelos resultados e o desafie em diretas - ou mesmo Luís Montenegro, Miguel Pinto Luz ou até Jorge Moreira da Silva -, a verdade é que o líder do PSD (a confirmar-se que ampliou expressivamente a sua presença autárquica) tem argumentos fortes a seu favor para convencer o partido a renovar-lhe a confiança para o conduzir até às legislativas de 2023.

Na sede nacional do PSD, onde se reuniu estado-maior social-democrata, e logo ao início da noite, o secretário-geral do partido, José Silvano, deu o segundo sinal quando deu a nova aos jornalistas que a Câmara de Coimbra tinha caído no colo do independente e ex-bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, cabeça de lista da coligação PSD/CDS, que derrotou o socialista Manuel Machado, até agora presidente da Associação Nacional de Municípios.

Coimbra foi outro tiro no porta-aviões e uma das autarquias emblemáticas que o líder social-democrata queria arrecadar e que, a par de Lisboa, demonstra uma clara subida da votação do PSD nos grandes centros urbanos, onde o partido tinha vindo a perder terreno desde as eleições de 2013 e ainda mais nas de 2017.

Foi também o que aconteceu na principal câmara da Madeira, o Funchal, em que o PSD a conquistou ao PS, sob regozijo do presidente do governo regional, Miguel Albuquerque. A autarquia era também um dos alvos de Rio, que andou persistentemente em campanha em todo o país. Um mês inteiro a bater terreno.

No deve e haver das capitais de distrito, Rui Rio conseguiu ainda ver a lista do PSD sobre pôr-se em Portalegre (era PS), embora tenha perdido a da Guarda para um independente, que é dissidente do partido.

Colocou ainda no cesto laranja câmaras como Barcelos (Braga), onde escolheu um candidato, Mário Constantino, à revelia da vontade das estruturas locais; Oliveira de Frades (Viseu), Vila Viçosa (Évora e antes CDU). E manteve capitais de distrito como Santarém e Viseu.

"Xicão" canta vitória

Ao contrário de Rui Rio, que se resguardou à espera de um mapa do país mais definido, o líder centrista, que com ele fez dezenas de coligações, cantou vitória perto da meia noite.

Francisco Rodrigues dos Santos, que também tem vários opositores internos à espreita, lembrou que o partido se debateu nas eleições num "cenário particularmente difícil". Isto porque, ""Avançámos para este quadro eleitoral depois do pior resultado de sempre em Legislativas, com uma concorrência como nunca houve no nosso espaço político, fruto da existência de novos partidos emergentes e, todos sabemos a dificuldade que, tradicionalmente, as eleições autárquicas comportam para um partido da dimensão do CDS"

O presidente do CDS recuperou a sua estratégia eleitoral para as autárquicas e as promessas que fez ao partido. "Fui eleito presidente do CDS a defender uma estratégia para estas eleições autárquicas à qual obedeci e que propunha, em primeiro lugar, manter as seis câmaras que eram governadas pelo CDS, aumentar o número de autarcas do partido face às eleições de 2017 e entendermo-nos com o nosso parceiro tradicional, o PSD, sempre que fosse possível ganhar câmaras à Esquerda".

E anunciou que, "com muito orgulho" que o "CDS superou todos os objetivos a que se propôs". Manifestou-se ainda confiante de que seria possível conquistar Lisboa. Já sobre a do Porto, recordou que esteve desde a primeira hora ao lado de Rui Moreira, que voltou a reconquistar o município.

paulasa@dn.pt

Mais Notícias

Outras Notícias GMG