Exclusivo "Miller Guerra exigiu independência imediata das colónias para chefiar o governo. Fora de questão para Spínola"

Biógrafa de João Pedro Miller Guerra, historiadora Ana Paula Pires conta como o corajoso transmontano (Vila Flor 1912-Lisboa 1993), médico formado em Coimbra, chegou a acreditar ser possível mudar o regime por dentro e junto com figuras como Sá Carneiro integrou a chamada "ala liberal" na Assembleia Nacional. Bateu, porém, com a porta em 1973, com estrondo, e foi um dos três nomes sugeridos pelo MFA para ser primeiro-ministro no 25 de Abril.

Miller Guerra demite-se da Assembleia Nacional mais ou menos um ano antes do 25 de Abril de 1974. Foi uma reação a quente por causa da censura nos jornais a um discurso seu parlamentar ou uma rutura inevitável mas pensada com o marcelismo?

Nas intervenções que realizou como deputado na Assembleia Nacional Miller Guerra foi sempre muito crítico do regime. Chegou mesmo a condenar a falta de liberdade de expressão que se vivia na Assembleia Nacional, defendendo que a informação era um dos elementos essenciais ao desenvolvimento de qualquer país. Mostrou-se indignado com os cortes realizados pela censura aos textos das suas intervenções, tendo, nessa ocasião, sido apoiado pelos colegas da "ala liberal". A 25 de janeiro de 1973 Francisco Sá Carneiro tinha apresentado a sua renúncia ao lugar de deputado como forma de protesto contra a recusa da comissão parlamentar discutir os projetos de lei sobre amnistia, crimes políticos, liberdade de associação e de reunião e de alteração do código civil. Os restantes deputados "liberais" foram apresentando os seus pedidos de demissão, quase de seguida. Começava a ficar claro que o regime não estava aberto a nenhuma mudança. Nas eleições para a Assembleia Nacional de 28 de outubro de 1973 os únicos que integraram as listas do partido do governo foram Mota Amaral e José da Silva, mas a experiência da "ala liberal" tinha chegado ao fim.

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