Militantes devem reconduzir Seguro com larga maioria

Cerca de 45 mil militantes do PS deverão hoje reeleger António José Seguro na liderança partidária com uma maioria muito expressiva, o que para a direção socialista representa um "inédito sinal de estabilidade" numa força da oposição.

Em julho de 2011, quando disputou a liderança com o ex-presidente do Grupo Parlamentar socialista Francisco Assis, o atual secretário-geral do PS venceu com cerca de dois terços dos votos.

Dois anos depois, António José Seguro tem como único opositor o militante de base Aires Pedro, que apenas concorre em sete das 700 secções do PS, facto que indicia que o atual secretário-geral será reconduzido no cargo com uma maioria muito expressiva.

Para a direção deste partido, a forma como deverá ocorrer a reeleição de António José Seguro no cargo de líder, num período em que o PS está fora do Governo, tendo pela frente um executivo com maioria absoluta PSD/CDS, representa um "fator inédito de estabilidade interna" num partido da oposição.

Durante as maiorias absolutas sociais-democratas de Cavaco Silva, entre 1987 e 1995, o PS conheceu três lideranças: Vítor Constâncio, Jorge Sampaio e António Guterres.

Depois, durante os governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, entre 2002 e 2005, o PS teve duas lideranças, a de Ferro Rodrigues e a seguir, a partir de outubro de 2004, a de José Sócrates.

"Ser líder do maior partido da oposição é o cargo mais difícil da democracia portuguesa", sustentou à agência Lusa fonte da direção do PS, referindo ainda como exemplos o facto de José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, ter tido pela frente quatro presidentes diferentes do PSD (Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho).

Na direção dos socialistas salienta-se também que o XIX Congresso Nacional do PS, entre 26 e 28 de abril, em Santa Maria da Feira, será o último na presente legislatura, o que quer dizer que o secretário-geral que for eleito nas diretas de hoje será consequentemente o candidato socialista a primeiro-ministro.

Além da escolha do secretário-geral, os militantes do PS elegem também hoje 1825 delegados ao congresso, que, por sua vez, em Santa Maria da Feira, vão votar a moção de estratégia global deste partido e a futura Comissão Nacional, o órgão máximo partidário entre congressos.

Ao contrário do que sucedeu nas "diretas" disputadas há dois anos entre Seguro e Assis, em que os militantes votaram ao longo de dois dias, as eleições realizam-se agora num único dia.

Uma mudança que ocorreu na sequência da revisão estatutária aprovada em 2012 e que, de acordo com atual a direção do PS, visou reforçar as regras de transparência na vida interna deste partido.

Outra alteração relevante no plano interno foi a proibição de os militantes poderem pagar as quotas no momento da votação.

Para as eleições de hoje, os militantes com capacidade eleitoral tiveram de pôr as suas quotas em dia até 12 de março passado, ou seja, um mês antes do ato eleitoral.

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