Marques Mendes ataca Ivo Rosa. Este juiz "é um perigo à solta"

Ex-líder do PSD e conselheiro de Estado critica duramente decisão do juiz de instrução. Mas também o Ministério Público. Quanto a António Costa, diz que não será atingido pelo caso.

A decisão instrutória sobre a "Operação Marquês" ocupou este domingo quase todo o espaço do comentário político de Luís Marques Mendes na SIC.

O antigo líder do PSD e atual conselheiro de Estado (designado na quota pessoal do Presidente da República) disparou em todas as direções mas com particular dureza sobre o juiz de instrução Ivo Rosa, que reduziu os 31 crimes de que José Sócrates vinha acusado a seis (três de branqueamento e três de falsificação de documentos).

Conclusão: "É preciso voltar a refletir sobre a necessidade de uma lei que venha punir o enriquecimento ilícito. Este caso "ressuscita" o tema. Podemos discutir como deve ser a lei. Mas não a devemos por de parte. Há gente na política que enriquece injustificadamente e não pode ficar impune. Até para defender os que são sérios."

"Rábula de Ricardo Araújo Pereira"

Para Mendes, Ivo Rosa fez com que parecesse que "o criminoso era Rosário Teixeira" (chefe da equipa do MP que investigou o caso e fez a acusação). Além disso, não pronunciando ninguém por corrupção, premiou "a ideia de impunidade", ou seja "a ideia de que fortes e poderosos se safam sempre".

Ou seja: "Para Ivo Rosa, José Sócrates é corrupto. Mas, segundo ele, não foi corrompido pelo Grupo Lena nem por Ricardo Salgado nem pelos investidores de Vale do Lobo. Foi corrompido, disse o juiz, pelo seu amigo Carlos Santos Silva. O mesmo amigo que nas escutas telefónicas funcionava não de corruptor mas de "testa de ferro" de Sócrates. Parece brincadeira. Mas pior é isto: foi corrompido mas não será julgado. Isto parece uma rábula de Ricardo Araújo Pereira. É corrupto? É. Vai ser julgado? Não. Há corrupção? Há. Vai ser julgada? Não."

"Mega processos são bons para o impacto mediático. Mas são maus para o efetivo combate à corrupção. Este é um vício enorme do nosso Ministério Público."

O comentador político criticou ainda o juiz por ter feito "tábua rasa" do depoimento de Paulo Azevedo (que disse que a OPA da Sonae sobre a PT falhou por ordem de Sócrates): "Deve estar novamente a brincar connosco. Alguma vez no Governo Sócrates alguma questão importante era decidida sem ouvir o primeiro-ministro? Este juiz ou é ingénuo ou faz-se de ingénuo ou vive num mundo à parte. Em qualquer dos casos, um homem assim é um perigo à solta."

O essencial das críticas de Mendes foram para o juiz de instrução - mas o Ministério Público também não passou incólume. Sendo certo que teve "mérito e coragem na investigação", a verdade também é que "pode ter deitado muito a perder com o monstro que é este mega processo". Dito de outra forma: "Mega processos são bons para o impacto mediático. Mas são maus para o efetivo combate à corrupção. Este é um vício enorme do nosso Ministério Público."

No entender ainda do comentador político, o PS não deverá ser atingido por mais esta evolução na "Operação Marquês" porque "há muitos anos que António Costa isolou Sócrates" e "fez em volta dele um cordão sanitário" que "evitou males maiores". A inteligência do primeiro-ministro salvou o PS deste ativo tóxico. Todas as críticas que Sócrates faça ao PS só beneficiam o partido. Significa que está do lado certo", afirmou Luís Marques Mendes.

Arrastamento "inaceitável"

Ontem o PCP também comentou o processo, considerando que, apesar da sua "inequívoca complexidade e dimensão", tem-se arrastado no tempo de uma forma "inaceitável aos olhos do cidadão comum".

Em comunicado, os comunistas consideraram ainda que "a decisão instrutória agora conhecida não é definitiva quanto ao caso judicial", sendo de esperar, por exemplo, que o Ministério Público recorra (o que aliás já foi anunciado). Ou seja: "Não é ainda o julgamento, para onde todo o processo deve seguir, tão rápido quanto possível". joao.p.henriques@dn.pt

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