Marisa admite fraqueza nas autárquicas. Pureza ataca extrema-direita

Marisa Matias assumiu que as eleições autárquicas são um dos "calcanhares de Aquiles" para o Bloco de Esquerda. José Manuel Pureza acusa a extrema-direita de usar mentiras para tentar "exterminar o BE".

A eurodeputada bloquista e ex-candidata presidencial, Marisa Matias, assumiu este domingo que as eleições autárquicas são um dos "calcanhares de Aquiles" para o Bloco de Esquerda.

"É um dos calcanhares de Aquiles, o BE tem tido algumas dificuldades de implementação local, creio que é algo que todos reconhecemos", disse Marisa Matias aos jornalistas, à entrada para o último dia da XII Convenção Nacional, a decorrer em Matosinhos, no distrito do Porto.

Dizendo que as eleições autárquicas são "um momento importante", Marisa Matias considerou que o BE tem de criar condições, seja em listas próprias, seja apoiando algumas listas de movimentos de cidadãos, para ter "mais representatividade" nas autárquicas, algo "fundamental" para fazer política no país.

Um dos passos para o partido se implementar em todas as regiões do país passa pelas eleições locais, reforçou. "Até aqui havia muita pouca experiência por parte do BE, mas neste momento e, sobretudo nos últimos anos, tem tido experiências difíceis, mas importantes como o caso da participação no executivo da Câmara Municipal de Lisboa", exemplificou.

A eurodeputada espera que o BE saia reforçado nas próximas eleições autárquicas onde, reafirmou, os resultados do partido têm sido "francamente modestos".

Pureza ataca extrema-direita

O deputado bloquista José Manuel Pureza acusou a extrema-direita de usar mentiras para tentar "exterminar o BE", o partido "que mais lhe faz frente e que a vai derrotar".

Na sua intervenção no segundo e último dia de trabalhos da XII Convenção Nacional do BE, o deputado considerou que a mentira "passou a ocupar um lugar crucial na luta política", tendo-se tornado uma das "armas mais poderosas da extrema-direita", que é usada para "excitar os seus fiéis" para "despertar ódios" e para "conseguir aquilo que já não escondem, exterminar a esquerda".

"Criarão todos os casos que puderem, lançarão a lama que puderem, atearão os ódios que puderem, tudo para exterminar esquerda, tudo para decapitar a democracia", prosseguiu, considerando que esta tática é usada pela extrema-direita para "que não se veja o [seu] programa social e económico e para que não se note quem e o quê quer na verdade favorecer".

Face a isto, o deputado e também vice-presidente da Assembleia da República sublinhou que a resposta "à farronca e ao ódio" é "a certeza de que extrema-direita será derrotada nas urnas e na mobilização popular", a "certeza de que se a extrema-direita quer exterminar o BE, é precisamente porque o BE é a força que mais lhe faz frente e que a vai derrotar".

"Saibam que não tememos os vossos ataques, saibam que não nos intimidam e que estamos prontos para vos enfrentar, opondo a decência de quem trabalha e de quem luta à mentira e ao ódio", frisou ainda, apontando que "é esta força, esta determinação em lutar sem tréguas contra a extrema-direita que impõem ao Bloco e a toda a esquerda rejeição das políticas pela metade, na garantia da segurança do emprego, do salário, da pensão, do hospital, da escola, é aí que a luta contra a extrema-direita se ganha ou se perde".

Na sua ótica, "o PS pode até pensar que o idílio entre o PSD e o Chega lhe dará o centro lhe mão beijada e que isso se confirma com políticas centristas", mas é "puro engano e engano perigoso".

"Só uma agenda política forte de igualdade e de justiça, e não um exercício pequenino de cálculo eleitoral responderão à estratégia de extermínio trazida pela extrema-direita e irresponsavelmente namorada por Rui Rio", defendeu, garantindo que os bloquistas estão onde têm "de estar, no combate democrático, valente, contra a podridão e a violência, com toda a coragem centrados apenas no que conta".

E criticou que o deputado e líder do Chega, André Ventura, se tenha referido a uma "invasão islâmica mas não diz uma palavra sobre a escravatura nas estufas de Odemira".

Às 10.20 horas, a bandeira da Palestina foi estendida no palco da Convenção, à frente da Mesa que dirige os trabalhos.

A copresidente deste órgão, Joana Mortágua, disse aos microfones "Palestina vencerá" e o momento originou uma ovação de pé na sala, que repetiu aquelas palavras.

Durante a manhã de trabalhos, que arrancou pouco depois das 09:00, Rita Sarrico, que integra a Mesa Nacional do BE, subiu ao palco para criticar a estratégia do Governo face à cultura, acusando o executivo de ter deixado "as pessoas para trás, à sua sorte", e de ter apoiado a "manutenção da precariedade", o que considerou "inaceitável".

E deixou uma mensagem à ministra da Cultura, Graça Fonseca, indicando que, "ao contrário do que pensa, os trabalhadores da cultura não trabalham quando querem, trabalham quando podem, trabalham quando os deixam trabalhar, e o Ministério da Cultura não tem feito nada para os deixar trabalhar".

A XII Convenção do BE termina este domingo em Matosinhos, com a eleição da Mesa Nacional e a votação das moções de orientação política, prevendo-se o encerramento pelas 13.15 horas.

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