"Haverá crise se partidos entenderem que há razões para provocá-la"

O Presidente da República lembrou esta quinta-feira que que "a faca e o queijo estão nas mãos dos partidos" e voltou a avisar que um chumbo do Orçamento provavelmente conduzirá a eleições antecipadas.

O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que "a faca e o queijo estão nas mãos dos partidos" e que quis ser preventivo ao avisar que um chumbo do Orçamento provavelmente conduzirá a eleições antecipadas.

Em resposta a questões, no final de uma visita à Escola Secundária Mães d'Água, na Amadora, distrito de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "mais vale prevenir do que remediar" e que falou "sem drama nenhum" sobre o que está em causa.

"As pessoas são livres de optar. Em democracia a última palavra sobre o Orçamento é a palavra dos partidos. Eu limitei-me a lembrar: se querem um caminho é assim, se querem outro caminho é diferente. Escolham", acrescentou.

Questionado se esta é uma crise artificial, como alegam algumas vozes do PSD, ou segundo as informações de que dispõe se está mesmo perante uma crise política, o chefe de Estado reiterou que está "convencido de que o natural é o Orçamento ser viabilizado", que "se assim for não há crise" e que "o bom senso aponta para que não haja crise política em Portugal".

"Haverá crise se os partidos entenderem que há razões para provocar essa crise, porque entendem que é melhor chumbar o Orçamento - ao contrário do que eu penso que é natural -- e avançar por um caminho completamente diferente", prosseguiu, concluindo: "Enfim, naturalmente que a faca e o queijo estão nas mãos dos partidos políticos, são eles que vão votar o Orçamento".

"Esforço de concertação" não significa cedência nos princípios

O Presidente da República apelou esta quinta-feira a um "esforço de concertação" entre os decisores políticos, considerando que "não se trata de ceder nos princípios", mas em aproveitar a oportunidade que o país tem para a reconstrução.

"Queremos uma democracia que, em cada momento, saiba aproveitar oportunidades, sobretudo quando elas são únicas, e esta é uma oportunidade única", referiu Marcelo Rebelo de Sousa, aludindo ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e ao Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), que o chefe de Estado já tinha referido ser importante na "reconstrução" de Portugal depois da pandemia.

Enquanto discursava na inauguração da ampliação do Centro de Distribuição da SONAE, em Vila Nova da Rainha, concelho da Azambuja (distrito de Lisboa), o Presidente da República sustentou que é necessário um "esforço de concertação, de entendimento, de conjugação de iniciativas", que está a ocorrer "um pouco por todo o país".

"Que o mesmo esforço haja naqueles que têm responsabilidades políticas", completou, acrescentando que "não se trata de ceder nos princípios ou de recuar naquilo que é a visão de cada qual para o futuro do país".

No entendimento de Marcelo Rebelo de Sousa "trata-se de perceber que este é um momento em que cada dia, cada mês, cada seis meses, fazem a diferença".

"Não há empates neste domínio. Empatar tempo é perder o jogo", completou.

O chefe de Estado considerou também que ainda que existam algumas comparações estatísticas com 2019, Portugal tem de estar melhor do que estava antes da crise socioeconómica provocada pela pandemia.

O país tem de "acompanhar os saltos" digital, energético e científico-tecnológico "deste momento singular", completou, e em até 2030 vai ser possível aferir se "a oportunidade foi ganha ou perdida".

"Esse salto está presente em toda a Europa e nas economias mais avançadas do mundo. Estão a dá-lo e vão ter de o dar. Nós, por termos entrado na quarta vaga mais cedo, estamos, de acordo com os dados disponíveis, a sair dela também mais cedo, temos a obrigação de aproveitar esse ensejo para não sermos nem os do meio, nem os do fim, deste processo que é um novo ciclo económico", alertou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa explicitou que "não é que o país acabe se a oportunidade tiver sido perdida", mas fica "um país muito menos progressivo, virado para o futuro, aberto a criar oportunidades aos mais jovens, e, portanto, é um país pior do aquele que poderá ser".

Os fundos europeus "são uma ocasião" para o país caminhar em direção ao futuro, "mas não esgotam a oportunidade", alertou.

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