Maior parte dos partidos pede recontagem total dos votos nas eleições da Madeira

Jaime Leandro, do PS-Madeira, realçou que "parece que tudo se encaminha para que os partidos peçam junto do TC a recontagem total".

A maior parte dos partidos candidatos nas eleições regionais da Madeira defendeu hoje uma recontagem total dos votos das legislativas do passado domingo, por consideraram estar em causa a credibilidade do ato eleitoral.

A candidatura do MAS - Movimento Alternativa Socialista requereu hoje à tarde ao Tribunal Constitucional (TC) um pedido de recontagem de todos os votos, por considerar terem existido "graves irregularidades" nas regionais madeirenses.

Também a Plataforma dos Cidadãos, PPM/PDA informou que enviou um "recurso para o Tribunal Constitucional da decisão da Assembleia de Apuramento Geral sobre os resultados eleitorais". A decisão - segundo um comunicado assinado pelo mandatário, Miguel Fonseca - baseou-se "nas irregularidades publicamente conhecidas e que indiciam falta de transparência no processo eleitoral".

Numa nota emitida na manhã de hoje, o Bloco de Esquerda (BE) considerou "que devem ser esgotados todos os mecanismos legais que levem ao apuramento total e rigoroso da vontade dos eleitores manifestada nas urnas para que a mesma possa ser respeitada, como tem que ser e como mandam as mais elementares regras democráticas".

Por seu lado, o Partido da Terra-MPT considerou que o desemprenho da Comissão Nacional de Eleições (CNE) "se caracterizou por uma total falta de transparência, isenção e incompetência no tratamento da produção dos boletins de votos para estas eleições, claramente contrariando uma decisão judicial do Tribunal da Comarca do Funchal, que foi validada pelo Tribunal Constitucional".

"A desautorização desta decisão judicial e a tentativa de golpe de Estado na secretaria, põem em causa os próprios fundamentos do Estado de Direito democrático, no modelo que nos foi proporcionado pelo 25 de Abril", salientou o MPT.

Em declarações à agência Lusa, Gil Canha, do PND, pediu a demissão imediata desta CNE, que considerou "vergonhosamente incompetente", e defendeu que uma nova comissão deveria "fazer uma recontagem", para "ultrapassar esta desconfiança no eleitor".

O candidato considerou que "esta comissão eleitoral sempre foi parcial" e "protegeu o PSD e o 'jardinismo'".

"As pessoas estão baralhadas, há alarme na opinião pública. Até para o partido vencedor é constrangedor ganhar desta forma", considerou Gil Canha.

Élio Sousa, do JPP, enviou hoje aos outros partidos um pedido de uma posição conjunta para pedir à CNE a recontagem dos votos, por considerar que "seria mais rápido do que um recurso ao [Tribunal] Constitucional".

"Se houver 'feed back' avançamos. Agora penso que sozinhos deixamos o procedimento correr", disse, considerando que o processo "criou um clima de desconfiança pelas instituições", que "descredibiliza os órgãos".

Já Jaime Leandro, do PS-Madeira, realçou que "parece que tudo se encaminha para que os partidos peçam junto do TC a recontagem total".

"É uma trapalhada. Não faz sentido a CNE patrocinar uma coisa destas. Estamos disponíveis para que possamos junto do Constitucional desencadear a tramitação no sentido de que se proceda à contagem global dos votos", afirmou.

Contactada pela Lusa, fonte do PCTP/MRPP disse que o partido não iria tomar nenhuma iniciativa "para já", enquanto o cabeça de lista do PNR na Madeira, Álvaro Araújo, afirmou que o partido vai agora concentrar-se na preparação das próximas eleições.

O CDS-PP madeirense remeteu para mais tarde um comunicado acerca da sua posição sobre os resultados eleitorais madeirenses.

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